Cileide Moussallem: a voz que incomoda o silêncio e enfrenta a violência contra mulheres no AM é reconhecida nacionalmente
Amazonas – Em um estado que frequentemente figura nos rankings nacionais com índices alarmantes de violência doméstica e feminicídio, o silêncio costuma ser o maior aliado da impunidade. É neste cenário desafiador que Cileide Moussallem consolidou seu nome não apenas como uma ativista, mas como uma instituição de vigilância cívica. À frente da Virada Feminina no Amazonas, Cileide transformou a indignação retórica em uma metodologia de pressão que rompe zonas de conforto e, por isso, ganhou projeção nacional.
Sua atuação vai além do protesto; ela preenche as lacunas deixadas pelo Estado. Enquanto mobilizações tradicionais tendem a se dissipar após a comoção inicial, a estratégia de Moussallem é marcada pela continuidade. Ela monitora inquéritos, cobra celeridade de delegados, questiona promotores e impede que processos de violência contra a mulher “morram na gaveta” da burocracia.
O “Fator Medo”: Por que sua voz incomoda?
Nos bastidores do poder e nas estruturas sociais acostumadas à omissão, Cileide é descrita como “temida”. Esse adjetivo, contudo, não deriva de agressividade vazia, mas de uma independência intransigente. Ao analisar sua trajetória, identificam-se cinco pilares que explicam por que sua presença causa desconforto em quem aposta no esquecimento:
1. Enfrentamento à Violência Institucional: Cileide expõe as falhas do sistema. Quando uma delegacia não atende bem ou uma medida protetiva demora a sair, ela denuncia. Isso gera atrito com autoridades que preferem a invisibilidade de seus erros.
2. A Memória como Arma: A persistência em acompanhar casos “do início ao fim” impede o arquivamento moral dos crimes. Para o agressor que conta com a impunidade do tempo, a memória de Cileide é uma ameaça real.
3. Articulação de Alto Nível: Como presidente estadual da Virada Feminina, ela conecta a sociedade civil, a imprensa e os órgãos de controle em Brasília e no Amazonas. A pressão deixa de ser local e isolada para se tornar sistêmica e pública.
4. Comunicação Cirúrgica: Sem eufemismos, sua linguagem nas redes e na mídia desmascara a narrativa de que a violência é “privada”. Ela trata o crime como questão de segurança pública.
5. Autonomia: Por não dever favores políticos e manter uma postura coerente, é difícil silenciá-la através dos meios tradicionais de cooptação.
Acolhimento: O outro lado da moeda
Se para o sistema falho ela é um alerta constante, para as vítimas ela representa um porto seguro. A Virada Feminina, sob sua liderança, estruturou uma rede de apoio que vai muito além da denúncia. Compreendendo que muitas mulheres não denunciam por dependência financeira ou medo, o movimento atua no encaminhamento psicológico, jurídico e social.
Essa abordagem holística — que une a dureza da cobrança pública com a humanidade do acolhimento privado — é o que valida sua liderança. O trabalho em rede fortalece a confiança das vítimas, que veem em Cileide não apenas uma porta-voz, mas uma aliada capaz de brigar por sua dignidade quando elas mesmas já não têm forças.
Reconhecimento Nacional
A consistência desse trabalho colocou Cileide Moussallem no radar nacional dos direitos humanos e do ativismo feminino. Sua capacidade de mobilizar opinião pública e transformar casos que seriam ignorados em pautas prioritárias serve hoje de estudo de caso sobre como a sociedade civil pode fiscalizar o poder público.
Em última análise, a figura de Cileide Moussallem envia uma mensagem clara e inegociável: no Amazonas, o ciclo de silêncio que protegia agressores e negligenciava vítimas foi quebrado. E, enquanto houver injustiça ou omissão estatal, sua voz continuará a ser o som mais incômodo — e necessário — para aqueles que temem a verdade.
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