Prejuízo bilionário: frio extremo destrói safras na Flórida e deixa rombo de US$ 3,17 bilhões
Mundo – Uma sequência impiedosa de tempestades de inverno congelou as lavouras da Flórida, gerando perdas severas em culturas vitais e instaurando uma das piores crises recentes no setor agrícola do estado. O Departamento de Agricultura e Serviços ao Consumidor confirmou que as baixas temperaturas causaram um rombo estimado em US$ 3,17 bilhões. O evento atingiu o estado em um momento crítico, pegando produtores no auge dos períodos de plantio e colheita.
As perdas foram impulsionadas por duas frentes frias extremas: a Winter Storm Ezra, que ocorreu entre 30 de dezembro e 1º de janeiro, e a Winter Storm Gianna, registrada de 26 de janeiro a 4 de fevereiro. Essas tempestades provocaram temperaturas congelantes por várias horas consecutivas em praticamente toda a Flórida, poupando apenas o Condado de Monroe, onde ficam as Florida Keys. Segundo o comissário de Agricultura, Wilton Simpson, as geadas já são classificadas como um dos eventos mais danosos da história do setor. O cenário foi agravado pela falta de mão de obra suficiente e pelo fato de que grande parte das plantações ainda não estava pronta para ser colhida antes do frio intenso.
A maior fatia do estrago financeiro recaiu sobre a cana-de-açúcar, que lidera as perdas com um prejuízo estimado em US$ 1,15 bilhão. Como a cana é uma cultura de ciclo contínuo, metade desse valor já reflete a quebra da produção futura, uma vez que os danos afetam diretamente as próximas safras. A laranja, principal símbolo agrícola do estado, também vive uma situação crítica. A indústria cítrica, já fragilizada nos últimos anos, amargou perdas de US$ 674,7 milhões, dos quais US$ 327 milhões correspondem a danos diretos às árvores. O relatório estadual aponta que até 80% das áreas cultivadas com citrus foram significativamente afetadas, projetando uma queda média de 27% na produtividade anual que deve perdurar por vários anos.
A mesa do consumidor certamente sentirá o impacto da quebra de safra de frutas menores e hortaliças, que também registraram perdas milionárias. O cultivo de morangos contabilizou US$ 306 milhões em prejuízos, seguido pelo milho doce, com perdas de US$ 255 milhões. A conta da destruição inclui ainda os tomates, com US$ 164 milhões, e os pimentões, com US$ 108 milhões. O frio não poupou viveiros e estufas, que acumularam cerca de US$ 240 milhões em danos, além de afetar expressivamente as lavouras de melancias, batatas, repolho e abóbora.
Para enfrentar o cenário de calamidade, o governador Ron DeSantis assinou uma ordem executiva determinando que a Divisão de Gerenciamento de Emergências coordene a resposta estadual ao desastre e busque apoio federal, caso seja necessário. Especialistas do setor agrícola alertam que os efeitos desse congelamento histórico estão longe de terminar nesta temporada. Com plantas mortas e ciclos reprodutivos comprometidos, a expectativa é de um impacto prolongado tanto na produção quanto nos preços dos alimentos ao consumidor final ao longo das próximas safras.


