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“Petflation”: custos com animais de estimação disparam e pressionam famílias na Flórida

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“Petflation”: custos com animais de estimação disparam e pressionam famílias na Flórida

Mundo – Para a grande maioria dos tutores, cães e gatos são membros legítimos da família, fazendo com que muitos prefiram cortar seus próprios gastos pessoais antes de diminuir o orçamento destinado aos pets. No entanto, manter essa promessa está cada vez mais difícil devido ao que especialistas já chamam de “petflation”, a inflação específica do setor. Impulsionada pelo encarecimento da alimentação, de serviços especializados e de cuidados veterinários, a alta de preços atinge em cheio os Estados Unidos, com a Flórida despontando como um dos locais onde os efeitos dessa crise são mais evidentes, dado o grande número de animais de estimação e de empresas do setor na região.

A escalada dos preços ocorre paradoxalmente em um momento de forte expansão desse mercado. Segundo dados da plataforma Rover, os gastos com animais aumentaram até 15% no último ano, e 83% dos tutores já perceberam a alta nas despesas. Esse impacto reflete a grandiosidade da indústria, uma vez que a American Pet Products Association aponta que os americanos gastaram 158 bilhões de dólares com seus animais em 2025. A projeção é que esse montante alcance 165 bilhões de dólares em 2026, consolidando o segmento como uma das indústrias de consumo mais resilientes do país.

Embora a inflação afete todos os itens de cuidado, os serviços veterinários são os principais responsáveis por pesar no bolso dos tutores. Mesmo com uma redução no número de consultas em 2025, o faturamento das clínicas continuou aumentando devido aos reajustes sucessivos. Isso ocorre em parte porque o padrão de atendimento subiu muito com a oferta de exames de alta complexidade, cirurgias especializadas e tratamentos oncológicos e de doenças crônicas. Paralelamente, a crescente aquisição de clínicas independentes por grandes grupos empresariais também tem puxado os preços cobrados dos consumidores para cima.

Essa nova realidade financeira tem forçado muitos donos de pets a recorrerem ao crédito para salvar seus animais. Um levantamento da MetLife Pet Insurance revelou que um em cada cinco proprietários acumula pelo menos 2 mil dólares em dívidas veterinárias, dependendo frequentemente de cartões de crédito e parcelamentos para custear emergências. Como consequência, entidades de proteção animal já relatam um aumento no número de famílias que, diante da dificuldade de absorver os custos, adiam consultas de rotina, deixam de realizar exames preventivos ou acabam optando por tratamentos mais baratos.

Na Flórida, essa preocupação ganha um contorno adicional devido aos fortes reajustes nas apólices de seguro para cães e gatos. A contratação desse tipo de serviço é muito mais disseminada no estado do que em grande parte do país, o que se explica pelo envelhecimento da população, a forte presença de aposentados e o elevado índice de domicílios com pets. Documentos regulatórios mostram que alguns planos sofreram aumentos superiores a 20%, reajustes que as seguradoras justificam pelo encarecimento médio dos tratamentos e pela maior utilização dos serviços. Para os analistas, a tendência é que os gastos continuem avançando nos próximos anos, movidos tanto pelo envelhecimento da população animal quanto pela busca ininterrupta por cuidados médicos cada vez mais sofisticados.


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