Mulher que recebeu US$ 750 mil de fundo ligado a vítimas de Epstein admite falsificação de documentos
Mundo – Uma mulher da Flórida, nos Estados Unidos, que recebeu US$ 750 mil de um fundo criado para indenizar vítimas de abuso sexual cometido por Jeffrey Epstein, declarou-se culpada por falsificar documentos usados para obter a indenização.
Jennifer Percival, acadêmica e autora de livros sobre autismo, apresentou a confissão de culpa na segunda-feira (14), em um tribunal federal dos Estados Unidos, em Nova York. Ela foi indiciada no mesmo dia. A transcrição da audiência foi incluída nos autos do processo nesta quarta-feira (16).
Durante a audiência, Percival não fez declarações sobre Epstein. Os promotores também não informaram se chegaram à conclusão de que ela era ou não uma das vítimas do criminoso sexual.
Aos 46 anos, Percival afirmou que, no final de 2020, havia solicitado indenização a um fundo criado pelo espólio de Epstein para compensar vítimas após a morte do bilionário, que se suicidou enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.
O fundo, porém, concluiu que ela não era elegível para receber a indenização. Os documentos do processo não esclarecem o motivo da negativa.
Documento de rejeição foi adulterado
Em 2024, Percival solicitou uma parcela de um novo fundo criado pelo JPMorgan Chase, que havia concordado em pagar US$ 290 milhões para encerrar processos movidos por vítimas de Epstein.Segundo o processo, para justificar o pedido, ela afirmou falsamente que o fundo do espólio de Epstein havia considerado seu pedido elegível e lhe pago US$ 500 mil.
Percival apresentou uma cópia da carta de rejeição recebida anteriormente, mas alterou o documento para fazê-lo parecer uma aprovação da indenização.
“O objetivo dessas ações era obter dinheiro, o que me dava uma sensação de validação”, disse ela ao juiz, segundo a transcrição da audiência.
Com base nas declarações falsas, o fundo de indenização ligado ao banco transferiu US$ 750 mil para Percival em 2024. Posteriormente, o FBI iniciou uma investigação sobre o caso.
No final de 2025, agentes apresentaram a Percival a carta original que confirmava a rejeição de seu pedido pelo fundo do espólio de Epstein. Segundo o depoimento dela, a mulher voltou a afirmar falsamente que havia recorrido da decisão e conseguido ser considerada elegível.
Ela também entregou ao advogado que a representava na época e-mails alterados e forjados, que foram apresentados a um promotor federal como parte de um pedido para adiar o processo.
“Sei que minhas ações foram erradas e assumo total responsabilidade”, declarou Percival.
Mulher terá de devolver mais de US$ 776 mil
Na audiência de confissão de culpa, Percival levou um cheque de US$ 776.031, valor correspondente à indenização que deverá pagar.A data da sentença ainda não havia sido definida. Ela foi liberada após a audiência e permanecerá em liberdade enquanto aguarda a decisão judicial.
As diretrizes federais de sentença indicam uma pena de três a quatro anos de prisão, conforme o acordo de confissão assinado com os promotores. A recomendação, porém, não é obrigatória para o juiz responsável pelo caso.
Defesa pode pedir clemência
Percival é diretora do Centro de Autismo e Deficiências Relacionadas da Florida Atlantic University e mora em Boca Raton.É provável que a defesa argumente durante a sentença que ela merece clemência em razão de seu trabalho ao longo dos anos com pessoas com deficiência.
Uma descrição publicada no site da universidade apresenta Percival como uma pesquisadora premiada na área de estudos sobre deficiência e afirma que ela participa de conselhos consultivos nacionais e regionais.
A Associated Press (AP) tentou contato com Percival, seu advogado, o centro de autismo e a assessoria de imprensa da Florida Atlantic University, mas não recebeu resposta.Nem os autos do processo nem as declarações feitas em audiência pública esclarecem explicitamente por que Percival alegou ter direito ao dinheiro do acordo relacionado a Epstein.
Segundo um promotor, as provas que poderiam ser apresentadas em um eventual julgamento incluiriam registros bancários de Percival, relatórios de busca e apreensão de sua conta de e-mail e o depoimento do administrador de dois fundos de indenização relacionados a Epstein.
Com informações de Estadão.com

