Mulher é intimidada em casa pela polícia após criticar pelas redes sociais político na Flórida
Brasil – Uma moradora de Miami Beach, na Flórida, viveu momentos de tensão após receber a visita inesperada de dois detetives da polícia local em sua residência. O motivo da abordagem: um comentário crítico que ela fez no Facebook contra o prefeito da cidade, Steven Meiner.
Raquel Pacheco, 51 anos, veterana do Exército dos Estados Unidos e ex-candidata a cargos públicos municipais, reagiu a uma publicação do prefeito — na qual ele apresentava Miami Beach como um “refúgio seguro para todos” — com um texto contundente. No comentário, Pacheco questionava o que considera contradições entre o discurso inclusivo do prefeito e suas posturas anteriores, incluindo posições sobre o conflito no Oriente Médio, a tentativa de impedir a exibição de um filme pró-Palestina e a suposta falta de apoio à comunidade LGBTQ+.
O post, marcado por ironia e emojis, chamou a atenção das autoridades. Na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, dois policiais bateram à porta da moradora. Segundo ela, os agentes disseram que estavam ali apenas “para conversar” e verificar se o comentário poderia provocar reações perigosas de outras pessoas.
Pacheco gravou a interação — que durou menos de três minutos — e divulgou o vídeo nas redes sociais. Durante o encontro, os policiais garantiram que não havia intenção de prendê-la, mas recomendaram que ela evitasse publicações semelhantes no futuro, alegando risco de “incitar algo”. A moradora recusou-se a responder perguntas sem a presença de um advogado e classificou a visita como uma evidente tentativa de intimidação.
“Se podem mandar a polícia à minha porta por algo que eu disse, podem fazer o mesmo com você”, declarou Pacheco em publicação posterior, segundo veículos locais.
A advogada Miriam Haskell, do Community Justice Project, que assumiu a defesa da moradora, classificou a ação policial como uma “tática clara de intimidação” contra o exercício de liberdade de expressão, direito garantido pela Primeira Emenda da Constituição americana.
A polícia de Miami Beach justificou a abordagem como medida de “excesso de cautela”, citando preocupações nacionais com o aumento do antissemitismo. O porta-voz do departamento afirmou que se tratou de um encontro consensual, com o objetivo de proteger o prefeito e a comunidade. Após a conversa, nenhuma investigação criminal foi instaurada.
O prefeito Steven Meiner, por sua vez, afirmou que o caso é “assunto policial” e declarou apoiar o direito à divergência de opiniões, embora tenha considerado que a linguagem utilizada no comentário justificaria uma verificação de segurança.
O episódio reacende o debate sobre os limites entre segurança pública e liberdade de expressão na era das redes sociais. Para Raquel Pacheco, o ocorrido representa uma ameaça concreta: “Minha liberdade de expressão morreu na porta de casa”. O caso continua gerando repercussão na imprensa da Flórida e entre defensores de direitos civis.



