Mark Zuckerberg compra mansão US$ 200 milhões no “Bunker dos Bilionários” da Flórida
Mundo – Enquanto os holofotes se voltam para as compras residenciais de nove dígitos de Mark Zuckerberg e Jeff Bezos no “Bunker dos Bilionários”, uma revolução silenciosa — e caríssima — acontece a poucos quilômetros dali, nos distritos financeiros. Pela primeira vez na história, o preço médio do aluguel de escritórios de alto padrão (Classe A) no sul da Flórida ultrapassou o de Midtown Manhattan.
O fenômeno, apelidado por analistas de consolidação de “Wall Street South”, reflete a exigência dos CEOs que migraram para o estado: eles querem seus escritórios a, no máximo, 20 minutos de suas novas mansões em Indian Creek ou Palm Beach.
Segundo dados preliminares da consultoria imobiliária Knight Frank para o primeiro trimestre de 2026, o valor do pé quadrado em edifícios corporativos premium em West Palm Beach atingiu US$ 180, superando a média de US$ 165 da Park Avenue, em Nova York.
O Efeito Cascata da Riqueza
“Não é apenas sobre impostos, é sobre ecossistema,” afirma Elena Vasquez, diretora de investimentos comerciais baseada em Miami. “Quando Ken Griffin (Citadel) e Zuckerberg movem suas bases, eles não vêm sozinhos. Eles trazem seus fundos, suas equipes jurídicas e seus family offices. O problema é que a Flórida não tem o estoque de prédios corporativos de Nova York. A escassez gerou uma guerra de lances.”
A demanda reprimida criou uma lista de espera de até 18 meses para edifícios que ainda estão na planta no distrito financeiro de Brickell. Desenvolvedores correm contra o tempo, convertendo antigos hotéis e até estacionamentos em torres de vidro espelhado para abrigar o novo capital global.
A “Faria Lima” em Miami
O movimento não é exclusivo dos norte-americanos. A valorização e a concentração de decisores globais na Flórida atraíram uma nova onda de Multi-Family Offices brasileiros.
Gestores de patrimônio que antes dividiam suas operações internacionais entre Nova York e Londres agora priorizam Miami. A lógica é simples: o cliente brasileiro de alta renda também comprou apartamento na Flórida.
“Estar em Miami em 2026 é o equivalente a estar em Genebra nos anos 90,” diz um gestor de um fundo brasileiro com R$ 5 bilhões sob custódia, que acaba de inaugurar um escritório em Coconut Grove. “Meus clientes almoçam aqui, jogam golfe aqui e fecham negócios aqui. Se eu ficar em São Paulo ou Nova York, perco o deal.”
O Custo do Paraíso
O boom, no entanto, traz efeitos colaterais severos para a economia local. Pequenas empresas e startups de tecnologia que floresceram em Miami durante a pandemia de 2020-2022 estão sendo expulsas pelo aumento vertiginoso dos aluguéis comerciais.
“O que estamos vendo é uma gentrificação corporativa,” alerta o economista local Robert Millman. “O escritório de advocacia local, a agência de marketing boutique, eles não conseguem competir com o aluguel que um fundo de hedge de Nova York ou uma holding de tecnologia do Vale do Silício pode pagar.”
Com a Califórnia mantendo sua política de taxação agressiva e a Flórida consolidando seu status de paraíso fiscal e climático, a tendência para o restante de 2026 é que a placa de “Aluga-se” em Miami se torne um dos ativos mais raros e disputados do mundo corporativo.


