Lagarto africano de até dois metros invade a Flórida e ameaça biodiversidade local; veja vídeo
Mundo – Um réptil de grande porte nativo do continente africano está causando crescente preocupação entre biólogos e autoridades ambientais nos Estados Unidos. O monitor-do-Nilo (Varanus niloticus), que pode atingir até dois metros de comprimento, tem expandido sua presença no sul da Flórida, consolidando-se como uma perigosa espécie invasora.
A introdução do animal na região remonta à década de 1980, impulsionada principalmente pelo comércio de animais exóticos. Atraídos pela aparência do réptil — que possui coloração verde-oliva a preta com faixas amareladas —, muitos compradores acabam soltando os animais na natureza ao perceberem seu rápido crescimento e temperamento agressivo.
“Eles são muito selvagens e ativos. Não são bons animais de estimação de forma alguma”, alerta o ecólogo Frank Mazzotti, professor da Universidade da Flórida. Munido de garras afiadas e uma mordida potente, o lagarto é difícil de ser mantido em cativeiro doméstico.
Expansão facilitada pelo clima e geografia
Atualmente, populações da espécie já estão firmemente estabelecidas nos condados de Lee e Palm Beach. As autoridades de gestão de fauna do estado (FWC, na sigla em inglês) também monitoram a presença do animal em Miami-Dade e registram avistamentos no condado de Broward.
O sucesso reprodutivo e territorial do monitor-do-Nilo na Flórida não é acidental. O clima quente e úmido do estado mimetiza as condições de seu habitat natural na África. Além disso, a geografia local favorece sua dispersão: excelentes nadadores tanto em água doce quanto salgada, esses lagartos utilizam os pântanos costeiros, manguezais e a extensa rede de canais artificiais da Flórida como verdadeiros corredores de transporte.
Impacto severo na cadeia alimentar
O principal alerta dos especialistas recai sobre a dieta altamente adaptável do invasor. O monitor-do-Nilo é um predador oportunista que consome praticamente qualquer presa que consiga capturar. Sua dieta documentada no estado inclui desde insetos, caranguejos e sapos, até aves, pequenos mamíferos e filhotes de crocodilo.
Essa voracidade representa uma ameaça direta à biodiversidade local. Espécies nativas já fragilizadas ou ameaçadas de extinção, como tartarugas marinhas, tartarugas-gopher, aves aquáticas e o próprio crocodilo-americano, tornaram-se alvos fáceis, especialmente por meio da predação de seus ovos.
Medidas de contenção
Diante do avanço da espécie, o estado da Flórida incluiu o monitor-do-Nilo em sua lista de espécies não nativas proibidas em 2021.
Para tentar frear o impacto ambiental, a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC) tem tratado o controle rápido como prioridade. As autoridades reforçam o apelo para que a população local relate imediatamente qualquer avistamento do animal, uma medida considerada essencial para impedir que novas populações se estabeleçam de forma irreversível na região.


