Brasília Amapá Roraima Ceará Pará |
Manaus
24º

Gestora da Flórida perde US$50 bilhões após rejeitar a Nvidia e o boom da Inteligência Artificial

Compartilhe
Gestora da Flórida perde US$50 bilhões após rejeitar a Nvidia e o boom da Inteligência Artificial

Mundo – A Polen Capital viu os seus ativos sob gestão encolherem 60% em quatro anos devido a uma estratégia conservadora que ignorou os novos líderes de Wall Street.

Numa decisão que contrariou a forte tendência de Wall Street, a gestora de investimentos Polen Capital, sediada na Flórida, protagonizou um dos maiores erros de cálculo recentes do mercado financeiro. Ao optar por ignorar a Nvidia — a fabricante de chips que se tornou o motor do avanço da Inteligência Artificial (IA) — e manter posições em empresas tradicionais de software, a empresa viu o seu património derreter em quase 50 mil milhões de dólares (cerca de 33 mil milhões de dólares atuais) num espaço de quatro anos.

 

A perda, que representa uma queda vertiginosa de 60% nos ativos sob gestão desde o pico de 2021, serve agora como um aviso claro para os fundos globais sobre o custo de ignorar a disrupção tecnológica.

Aposta contra a Nvidia custou caro

Enquanto grande parte dos investidores mundiais corria para capitalizar a revolução da IA, a equipa de gestão da Polen Capital manteve-se cética. Em junho de 2023, a empresa chegou a enviar uma nota aos clientes afirmando que todo o potencial de valorização da Nvidia já estava refletido no preço das ações.

A partir desse momento, as ações da fabricante de semicondutores dispararam quase 400%. Em contrapartida, o fundo principal da gestora, o *Polen Growth Fund*, que preferiu concentrar os seus recursos em tecnológicas de software em nuvem (SaaS) como a Adobe e a Salesforce, registou perdas severas.

O fundo principal, que chegou a gerir 14 mil milhões de dólares, encolheu 86%, operando hoje com menos de 2 mil milhões de dólares e situando-se nas últimas posições dos rankings de rentabilidade da categoria. Face aos resultados, gigantes bancários como o Morgan Stanley retiraram a gestora das suas listas de recomendações principais.

Crise interna e cortes de pessoal

O impacto financeiro rapidamente se transformou numa crise de liderança e estrutura interna. Perante a recusa prolongada do comitê de investimentos em rever a sua posição sobre a IA, os clientes começaram a retirar o capital em massa a partir de 2023.

A debandada de investidores forçou o CEO, Stan Moss, a implementar medidas drásticas:

Redução de pessoal: Cerca de 50% da força de trabalho foi dispensada nos últimos dois anos, resultando no corte de aproximadamente 100 postos de trabalho.

* **Fuga de executivos:** Vários diretores seniores, incluindo os responsáveis pelas áreas de operações (COO), conformidade (CCO) e finanças internacionais, abandonaram a empresa.

Apesar da crise e dos cortes, decisões de gestão como a expansão internacional agressiva e a compra de uma mansão de luxo por 11 milhões de dólares pelo CEO em Boca Raton geraram contestação e desconforto entre os funcionários restantes.

Capitulação tardia

Foi apenas no final de 2025, depois de ver os concorrentes acumularem fortunas com a infraestrutura de IA, que a liderança da Polen Capital admitiu o erro de previsão. A gestora alterou a sua estratégia e começou finalmente a comprar ações ligadas ao setor de IA, reestruturando a carteira do seu fundo principal com posições em empresas como a Microsoft e a Broadcom.

A reviravolta da gestora da Flórida expõe a nova realidade dos mercados globais: na era da Inteligência Artificial, a insistência em modelos de avaliação tradicionais diante de mudanças tecnológicas massivas pode transformar-se num erro de milhares de milhões de dólares.


Siga-nos no Google News Portal CM7

Banner Rodrigo Colchões Abaixo do Post

Banner 1 - Portal CM7


Carregar mais