Flórida aprova novo mapa eleitoral: republicanos ampliam vantagem e miram mais vagas no Congresso

Mundo – A Assembleia Legislativa da Flórida aprovou, em sessão extraordinária nesta quinta-feira, um novo mapa eleitoral para o Congresso norte-americano que favorece o Partido Republicano. Apresentada no início da semana pelo governador Ron DeSantis, a proposta tem o potencial de garantir aos republicanos mais quatro assentos nas eleições intercalares de novembro, o que elevaria a representação do partido de 20 para 24 dos 28 distritos do estado. A aprovação ocorreu com facilidade devido à confortável maioria republicana em ambas as câmaras legislativas estaduais, e o texto segue agora para a promulgação do governador.
A medida insere-se num cenário político nacional de intensa disputa e vai ao encontro dos apelos do Presidente Donald Trump, que tem instigado estados com inclinação conservadora a reverem os seus mapas eleitorais para evitar que os democratas assumam o controlo do Congresso. A redistribuição na Flórida atua também como um contrapeso ao recente referendo na Virgínia, que alterou as circunscrições a favor do Partido Democrata. Com esta decisão, a Flórida torna-se o oitavo estado a redesenhar o seu mapa eleitoral desde o ano passado, seguindo os passos do Texas — onde o processo começou em junho de 2025 —, Utah, Ohio, Carolina do Norte, Missouri, Califórnia e Virgínia.
O novo traçado distrital gerou fortes reações da oposição democrata, que classificou a alteração como uma manobra estritamente partidária concebida para agradar a Trump e prejudicar os eleitores não republicanos do estado. A deputada estadual democrata Michele Rayner acusou a base governista de subverter um processo estadual para atender a objetivos políticos nacionais ditados pela Casa Branca. Em contrapartida, a autora da proposta, a congressista republicana Jenna Persons-Mulicka, demonstrou confiança na viabilidade do novo mapa, afirmando que existe uma alta probabilidade de o texto resistir a contestações judiciais perante um cenário jurídico em constante evolução.
A principal barreira legal à nova configuração é uma emenda constitucional da Flórida, aprovada em 2010, que proíbe o “gerrymandering” — a revisão de distritos com fins explicitamente partidários. No entanto, o governador Ron DeSantis e a sua equipa confiam que recentes deliberações judiciais enfraqueceram essa proteção. Eles apoiam-se em decisões anteriores do Supremo Tribunal estadual e numa recente sentença do Supremo federal, referente ao estado do Missouri, que reduziu proteções históricas para minorias raciais e étnicas previstas na Lei do Direito de Voto (VRA). Para o governo da Flórida, essa jurisprudência sinaliza a invalidação de algumas disposições estaduais, abrindo caminho para o mapa proposto.
Apesar do avanço do novo mapa e do histórico de vitórias de Donald Trump na Flórida desde a sua campanha de 2016, o panorama eleitoral do estado tem apresentado algumas dinâmicas de mudança. O Partido Democrata registou vitórias recentes, como a eleição de Eileen Higgins em dezembro, que se tornou a primeira autarca democrata de Miami em mais de 30 anos. Além disso, em março, a democrata Emily Gregory venceu uma eleição extraordinária num distrito de peso político altamente simbólico, uma vez que engloba a região de Mar-a-Lago, onde está localizada a mansão de Trump.








