Fim de proteção migratória ameaça a economia da Flórida com a perda de mais de 90 mil trabalhadores haitianos; veja vídeo

Mundo – A revogação do Status de Proteção Temporária (TPS) pela Suprema Corte dos Estados Unidos, decretada em 27 de julho, já começou a enviar ondas de choque pela economia e pela sociedade americana. A Flórida encontra-se no epicentro desta crise: sendo o estado com a maior concentração de haitianos protegidos pelo programa, a região corre o risco de perder cerca de 93 mil profissionais.
Esses trabalhadores formam a base de operações em setores vitais, atuando fortemente na área da saúde, hotelaria, agricultura, logística e segurança. Segundo dados levantados em conjunto pela FWD.us, UndocuBlack Network e Haitian Bridge Alliance, apenas a região de Miami deve sofrer um baque financeiro significativo, visto que essa mão de obra movimenta anualmente cerca de US$ 1,5 bilhão na economia local.
Impacto imediato na Saúde
Os efeitos práticos do fim da proteção já são uma realidade dura, especialmente no setor de cuidados médicos e assistência. De acordo com Denise Bellville, diretora da Home Care Association of Florida, o déficit de funcionários já forçou o fechamento de duas agências de atendimento que prestavam serviços à comunidade haitiana nos condados de Broward e Miami-Dade. Cada uma das unidades precisou fechar as portas após perder mais de 80 colaboradores que dependiam do TPS.
Grandes redes hospitalares também estão sentindo o impacto direto nas suas escalas de trabalho:
- Jackson Health System: Perda de cerca de 50 trabalhadores.
- Memorial Healthcare: Baixa de 27 profissionais.

Embora o impacto na Flórida seja massivo, a insegurança se estende por todo o território americano, afetando um total de mais de 350 mil haitianos que perderam sua proteção migratória.
Em Ohio, o cenário é de apreensão crescente. Na região de Springfield — que abriga uma comunidade de 10 a 15 mil haitianos —, o aumento das detenções por agentes de imigração tem espalhado medo. O clima de tensão atingiu seu pico recentemente com a prisão do pastor Gilbert Joubert Adrien, de 41 anos. Conhecido e respeitado como uma figura de referência para os imigrantes locais, sua detenção tornou-se um símbolo da nova e incerta realidade enfrentada por milhares de famílias que haviam reconstruído suas vidas nos Estados Unidos.


