Após meio século no corredor da morte, assassino desiste de apelos e aceita injeção letal na Flórida; veja vídeo

Mundo – A Flórida, estado com o corredor da morte mais letal dos Estados Unidos na atualidade, realiza nesta terça-feira (1º) sua 14ª execução do ano. O alvo da injeção letal é Harold Gene Lucas, de 74 anos, condenado por assassinar uma adolescente de 16 anos que rejeitou seus avanços amorosos em 1976. Após uma batalha judicial que durou décadas e resultou em cinco sentenças de morte diferentes para o mesmo crime, Lucas chocou o tribunal ao tomar uma decisão definitiva: ele quer morrer.
Renunciando ao direito de apelar à Suprema Corte da Flórida ou à Suprema Corte dos EUA, o detento pediu expressamente que o juiz encerrasse todos os processos pós-condenação. O pedido foi prontamente atendido. “Estou no corredor da morte há 50 anos e não tenho o menor desejo de levar isso adiante”, declarou Lucas, segundo as transcrições do tribunal. “Quanto mais cedo acabar, melhor vou aproveitar. Estou cansado.”
Um crime brutal e uma maratona judicial
A história que culmina na execução desta terça-feira começou em agosto de 1976, em Bonita Springs, ao sul de Fort Myers. Lucas, então com 24 anos, trabalhava para a família de Jill Piper, de 16, com quem já havia se relacionado. Obcecado, ele chegou a dizer a amigos que planejava se casar com a jovem.
Após uma série de desentendimentos e ameaças de morte proferidas por Lucas, Piper pediu que dois amigos — Richard Byrd Jr. e Terri Rice — dormissem em sua casa para protegê-la. A precaução foi em vão. Lucas invadiu a residência armado com um rifle e atirou múltiplas vezes contra a adolescente enquanto ela implorava pela própria vida. Ele também baleou e feriu os dois amigos da vítima antes de ser preso no dia seguinte.
O que se seguiu foi um verdadeiro labirinto legal. Lucas foi sentenciado à morte originalmente em 1977. No entanto, por uma série de decisões da Suprema Corte da Flórida envolvendo erros técnicos de juízes e orientações ambíguas para os júris ao longo dos anos, o processo foi anulado e refeito diversas vezes. Ele acabou sendo sentenciado à morte pela segunda vez em 1980, pela terceira em 1985, pela quarta em 1987 e, finalmente, pela quinta e definitiva vez em 1990.
A engrenagem letal da Flórida
A execução de Lucas — programada para as 18h na Prisão Estadual da Flórida, perto de Starke — joga luz sobre o ritmo implacável do estado na aplicação da pena capital sob a gestão do governador republicano Ron DeSantis.
O estado já responde por mais da metade das 23 execuções realizadas em todo o território americano este ano. O ritmo acelerado segue uma tendência de 2025, quando os EUA registraram 47 execuções no total, das quais 19 ocorreram apenas na Flórida — um recorde estadual desde a reinstalação da pena de morte no país, em 1976. O estado chegou ao ponto de executar dois prisioneiros em um único dia no último mês de julho, algo inédito no país em quase uma década.
O cronograma mortífero de setembro não termina com Lucas. DeSantis já assinou mandados para outras duas execuções nas próximas semanas:
- 10 de setembro: Daniel Owen Conahan Jr., 72 anos. Condenado por sequestrar e estrangular um homem contratado para posar para fotos nuas. Ele é o principal suspeito de uma série de homicídios semelhantes nos anos 1990.
- 29 de setembro: Curtis Wilkie Beasley, 77 anos. Condenado por espancar uma mulher até a morte com um martelo para roubar seu carro e pertences em 1995.
Todas as execuções no estado seguem o mesmo protocolo, segundo o Departamento de Correções: a aplicação de um coquetel de três drogas consistindo em um sedativo, um paralisante muscular e, por fim, uma substância que causa a parada cardíaca. Para Harold Gene Lucas, as drogas marcam o fim de um dos mais longos períodos de espera no corredor da morte da história americana.

