Gustavo Marques, do Bragantino, é punido por 12 jogos por fala machista contra árbitra
Brasil – O zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, foi suspenso por 12 partidas pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo (TJD-SP). A decisão foi tomada nesta quinta-feira (5) após julgamento das declarações machistas feitas pelo jogador contra a árbitra Daiane Muniz.
O episódio ocorreu depois da derrota do Bragantino para o São Paulo Futebol Clube por 2 a 1, nas quartas de final do Campeonato Paulista.
Além da suspensão, válida apenas para competições estaduais organizadas em São Paulo, o defensor também recebeu multa de R$ 30 mil. A denúncia contra o atleta foi baseada nos artigos 243-F e 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que tratam de ofensa à honra e de atos discriminatórios.
Punição também dentro do clube
Antes mesmo da decisão do tribunal, o Red Bull Bragantino já havia aplicado sanções internas ao jogador. O clube multou o atleta em metade de seu salário e o retirou da partida contra o Athletico Paranaense, válida pelo Campeonato Brasileiro Série A, disputada em 25 de fevereiro.
Segundo o clube, o valor arrecadado com a multa foi destinado à ONG Rendar, instituição que presta assistência a mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista.
Declarações após eliminação
As declarações que motivaram o processo disciplinar ocorreram logo após a eliminação do Bragantino no estadual, em 21 de fevereiro. Em entrevista à TNT Sports, Gustavo Marques criticou a arbitragem e questionou a presença de uma mulher em jogos de grande porte.
Na ocasião, o zagueiro afirmou que a federação deveria “olhar para jogos desse tamanho e não colocar uma mulher” para apitar, alegando que a arbitragem teria prejudicado a equipe na partida decisiva.
Retratação e posicionamento do clube
Horas após a repercussão das falas, o Red Bull Bragantino divulgou nota oficial repudiando as declarações do atleta e pedindo desculpas “a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra Daiane Muniz”.
Ainda na noite do jogo, Gustavo Marques e o diretor esportivo do clube, Diego Cerri, foram ao vestiário da arbitragem para se retratar diretamente com a árbitra.
A punição aplicada pelo TJD-SP reforça o entendimento da Justiça Desportiva de que manifestações discriminatórias no futebol podem resultar em sanções esportivas e financeiras, ampliando o debate sobre respeito e igualdade dentro e fora de campo.


