Vini Jr. chora ao relembrar infância com a avó: “Ela marcou minha vida”; vídeo

Brasil — No auge de sua forma física e técnica, Vini Jr. tem sido o grande maestro da Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo. Com quatro gols em apenas três jogos — incluindo dois na recente vitória por 3 a 0 sobre a Escócia —, o camisa 7 do Real Madrid e do Brasil prova que a camisa verde e amarela lhe cai perfeitamente bem. Mas foi fora das quatro linhas, no palco do *Domingão com Huck* deste domingo, que o craque mostrou sua face mais potente: a de um jovem forjado no amor familiar, sedento por glórias e implacável na luta por um mundo mais justo.
Por trás da velocidade estonteante e dos dribles desconcertantes, existe um menino que encontrou na avó o porto seguro de sua infância. Durante a entrevista a Luciano Huck, Vini não conteve a emoção ao receber uma mensagem em vídeo de Dona Nilza.
A lembrança de uma infância humilde, mas repleta de afeto, veio à tona. Até os 16 anos, o craque dividiu não apenas o mesmo teto, mas muitas vezes a mesma cama com a avó, devido ao espaço reduzido da casa.
“A casa era pequena, então dormi junto com ela vários dias. Fico sem palavras, ela marcou minha vida,” revelou Vini, com a voz embargada. “Sei que há o momento das pessoas partirem, então aproveito cada momento com ela. Eles fizeram de tudo para viver meu sonho. Vê-la feliz não tem preço.”
A emoção pelas raízes rapidamente divide espaço com a fome de vitória. Aos 25 anos (prestes a completar 26 dias antes da grande final do Mundial), Vini sabe o peso que carrega. Ele era apenas um bebê quando o Brasil ergueu a taça em 2002, e a espera de 24 anos incomoda a atual geração.
Para o atacante, a mescla entre a experiência de veteranos consagrados e a ousadia dos mais jovens é o trunfo do Brasil de Carlo Ancelotti:
A Velha Guarda: A presença de nomes como Neymar, Casemiro, Danilo e Marquinhos tira o peso das costas dos mais novos, dando a tranquilidade necessária para o time jogar solto.
O Sangue Novo: A nova safra liderada por ele, além das promessas que já são realidade, como Endrick e Rayan.
O Fator Ancelotti: O “Mister” dá liberdade e confiança ao elenco. Inclusive, rendeu até uma aposta com o treinador após Vini marcar um raro gol de cabeça contra a Escócia. “Vou ter que escolher o presente”, brincou o jogador.
Apesar de ser o grande nome técnico do Brasil, a vitória mais importante de Vini Jr. não é contabilizada no placar. O jogador tornou-se o grande símbolo mundial da luta contra o racismo no futebol. A sua persistência gerou a chamada “Lei Vini Jr.”, uma regra implementada pela Fifa que prevê a expulsão direta de jogadores que cobrirem a boca para proferir ofensas contra adversários — uma medida nascida após o lamentável episódio envolvendo o argentino Prestinni.
Para Vini, a motivação de encarar essa batalha de frente tem nome, sobrenome e um olhar voltado para o futuro:
“Essas conquistas fora de campo são muito mais importantes do que as que eu ganho dentro de campo. Porque eu ajudo muito mais gente. Eu tenho um irmão de sete anos e eu espero que ele não sofra com racismo. Quero fazer grandes coisas em campo, mas continuar inspirando jovens negros que não têm a voz que eu tenho.”
Ao encerrar sua participação, Vini foi categórico sobre o seu preparo para este Mundial. Após uma temporada irretocável no Real Madrid, onde se poupou de lesões e trabalhou a mente e o corpo, ele se diz 100% focado.
Vini Jr. é hoje o espelho de um Brasil que chora, que luta, que não foge dos problemas, mas que, acima de tudo, nunca deixa de sonhar. A sexta estrela, se depender dele, está cada vez mais perto de casa.


