“Parece bio no Tinder, não currículo”: Candidata do MBL de São Paulo ataca campanha da amazonense Vivian Amorim; vídeo

Brasil — A corrida eleitoral de 2026 já dá mostras do nível de polarização que dominará as redes sociais nos próximos meses. Desta vez, o embate cruzou fronteiras estaduais e colocou em choque duas advogadas com perfis diametralmente opostos. A advogada paulista Ana Hering, pré-candidata a deputada federal por São Paulo pelo Partido Missão (sigla ligada ao MBL e a Renan Santos), publicou um vídeo com duros ataques à amazonense Vivian Amorim, ex-BBB, apresentadora e recém-anunciada pré-candidata a deputada estadual pelo Amazonas (União Brasil).
Ana Hering ironiza vídeo de pré-campanha da ex-BBB, gerando revolta nas redes e debates sobre misoginia, ataques de políticos do Sudeste e a entrada de influenciadores nas eleições de 2026.
O estopim da confusão foi o vídeo de apresentação de Vivian Amorim. Na peça de pré-campanha, a amazonense buscou uma abordagem descontraída para se conectar com o eleitorado, afirmando que não criaria um “personagem” para entrar na política. No vídeo, Vivian se descreve como “manauara, mãe solo, sustento do lar” e disparou a frase que se tornou o principal alvo das críticas: *”sou uma mulher solteira, que gosta de beijar na boca, de se cuidar, de treinar e de dançar”*.
Utilizando o formato de “react” — tática exaustivamente conhecida do Movimento Brasil Livre (MBL) para engajar sua base conservadora —, Ana Hering não poupou palavras e foi incisiva contra a amazonense.
Em um dos trechos mais pesados do vídeo, Hering dispara: “Eu esperava que você nunca entrasse na política. (…) Perguntaram para você ‘quais suas propostas?’ e você falou que é mãe solo, solteira e gosta de beijar na boca. Isso daí, pra mim, parece uma descrição da sua bio no Tinder, não um currículo pra uma deputada estadual.”
A candidata paulista foi além, chamando a estratégia da amazonense de subestimar o eleitorado. “Fico pensando quão idiota essas pessoas acham que os eleitores são para olhar esse tipo de vídeo e falar: ‘Nossa, acho que vou votar nessa moça'”, declarou Hering, antes de finalizar com uma enxurrada de ironias sobre a suposta falta de capacidade de Vivian para redigir leis, participar de CPIs ou combater a corrupção.
O ataque da candidata ligada ao MBL rapidamente furou a bolha paulista e ecoou com força no Amazonas. Nos comentários da publicação — que já acumula dezenas de milhares de curtidas e interações acaloradas —, o tom da discussão se dividiu.
De um lado, os apoiadores de Hering endossaram o discurso de que o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas não devem ser “concursos de popularidade” para ex-participantes de reality shows. Do outro, uma forte onda de defesa à Vivian Amorim tomou conta das redes, apontando uma suposta arrogância sudestina. Muitos internautas amazonenses criticaram a postura da paulista, acusando-a de tentar “lacrar” em cima de uma figura feminina do Norte do país para ganhar projeção nacional.
O embate também levantou a pauta do machismo estrutural na política. Defensores de Vivian argumentaram que políticos homens frequentemente utilizam discursos populistas, dancinhas e piadas em suas campanhas sem que sua capacidade intelectual seja tão duramente questionada.
Após a repercussão massiva e os ataques, Vivian Amorim já havia se manifestado em suas redes (antes mesmo do vídeo de Hering viralizar por completo), relatando estar sofrendo “ódio gratuito” e “ataques misóginos”. A amazonense, que também é advogada por formação, tem defendido que o vídeo era apenas uma introdução da sua essência e reforçou que possui “inteligência jurídica” e mais de 10 anos de vida pública consolidada para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).
Faltando pouco tempo para as eleições oficiais, o episódio consolida a tônica de 2026: campanhas baseadas no confronto direto de narrativas, onde o embate digital importa tanto — ou mais — do que o plano de governo. Resta saber se o ataque paulista enfraquecerá a imagem da influenciadora em Manaus, ou se o sentimento de defesa à “filha da terra” acabará impulsionando ainda mais a candidatura de Vivian Amorim no Amazonas.

