Gerente que roubou R$ 500 mil de Danilo Gentili teria usado parte do dinheiro desviado para fazer “harmonização peniana”
Mundo – O My Fucking Comedy Club, casa de shows de Danilo Gentili em São Paulo, tornou-se centro de um escândalo que mistura desvio de dinheiro, manipulação de funcionários, ameaças veladas, ostentação e até procedimentos estéticos inusitados. A investigação interna conduzida pelo humorista, com apoio jurídico do advogado Maurício Bunazar, aponta que o gerente Bruno Lambert teria desviado mais de R$ 500 mil ao longo de sua gestão – e usado parte desse dinheiro para bancar uma suposta “harmonização peniana”.
A crise teve início quando, em 2025, Danilo Gentili decidiu revisar a contabilidade da casa após notar informações contraditórias apresentadas pelo gerente, que era tratado como amigo pessoal. A reação agressiva de Lambert à auditoria levantou o primeiro sinal de alerta.
Logo surgiram relatos preocupantes. Durante um show de Rogério Morgado, um funcionário comemorou a venda de 17 ingressos na porta. O relatório oficial, porém, mostrava apenas 3. Segundo testemunhas, Lambert teria repreendido o atendente por falar o número real em voz alta.
A partir desse episódio, Gentili e seu produtor, Adriano Almeida, passaram a cruzar dados manualmente. As divergências se multiplicaram.
Maquininha paralela, atrasos de salário e histórias contraditórias
A investigação descobriu que Lambert negava a existência de uma segunda maquininha de cartão, embora prints e extratos de clientes comprovassem seu uso frequente na porta do comedy. O valor arrecadado com ela não entrava no caixa oficial.
Ele também dizia aos donos que todos os funcionários estavam com pagamentos em dia, enquanto a equipe relatava atrasos e versões contraditórias. Para os colaboradores, Lambert afirmava que Danilo não havia autorizado os pagamentos. Para Danilo, dizia que já tinha pago tudo.
O gerente ainda apresentava justificativas rotativas para cada inconsistência: “falha no débito automático”, “problema no banco”, “erro técnico”.
O estopim: segurança recebe valor triplicado
Um dos episódios decisivos ocorreu quando um segurança, que deveria receber R$ 400, foi surpreendido com uma transferência de R$ 1.400. Lambert teria pedido que o excedente fosse devolvido diretamente ao seu PicPay pessoal. O policial se recusou e devolveu o valor para a conta oficial da empresa, levando os proprietários a aprofundar a apuração.
Com isso, o esquema começou a se revelar:
– salários superfaturados, com devolução do excedente para o gerente;
– depósitos aleatórios e recorrentes;
– produtos desviados, como vinhos, queijos e até merchandising de Gentili;
– uso de máquinas de cartão particulares para desvio direto.
Enquanto o comedy acumulava dívidas e funcionários reclamavam de falta de pagamento, Lambert passou a ostentar roupas de luxo, tênis importados e gadgets caros. Testemunhas disseram que ele aplicava anabolizantes no banheiro do estabelecimento e presenteava garotas com iPhones 16.
Entre os relatos mais inusitados, humoristas afirmam que Lambert se gabava de ter feito uma “harmonização peniana”, dizendo que o procedimento havia sido pago com postagens publicitárias no Instagram. Como nenhuma publicação foi encontrada, cresceu a suspeita de que o custo estaria incluído no dinheiro desviado do comedy.
A investigação também identificou um episódio em que Lambert contratou parentes de um funcionário sem autorização da diretoria — prática proibida na empresa. Quando entrou em conflito com o contratado, teria pedido dinheiro à mãe e à avó do jovem, no Nordeste, para “resolver” o problema.
Relatos também mostram que Lambert se apresentava como executivo de uma rede de odontologia, prometendo franquias, consultórios e até aparições na TV. A equipe de Gentili acredita que esses contatos eram tentativas de golpe, usando o nome do humorista para ganhar credibilidade.
Há mais de três horas de gravações, prints, conversas, comprovantes falsos e rastreamentos bancários reunidos na apuração interna. Após a demissão de Lambert, descobriu-se ainda que ele havia deixado dívidas com fornecedores, contas em atraso e até valores de aluguel não pagos.
A estimativa preliminar ultrapassa R$ 500 mil, mas o número pode aumentar conforme o levantamento avançar.
De acordo com a equipe jurídica, Lambert foi procurado e recebeu a oportunidade de reparar parte dos danos, quitando dívidas e devolvendo valores desviados. Até agora, porém, isso não aconteceu.
Gentili já regularizou os pagamentos pendentes dos funcionários e reorganizou a administração do espaço. O caso deve seguir agora para a Justiça criminal, onde Lambert poderá responder por estelionato, apropriação indébita e outros crimes financeiros.
No comunicado divulgado no dia 23 de novembro, o My Fucking Comedy Club afirmou que continuará funcionando normalmente e agradeceu à equipe e aos artistas que ajudaram a manter o espaço ativo durante a crise.


