Benito Di Paula morre aos 84 anos e deixa legado histórico para o samba
Brasil – O Brasil se despede de um dos artistas mais singulares da sua história. Inicialmente, o país chora a perda do genial Uday Velloso. O público eternizou o músico no coração como Benito Di Paula. Infelizmente, o cantor e compositor Benito Di Paula morre aos 84 anos de idade. Ele faleceu na noite deste domingo (18). Atualmente, o artista estava internado no conceituado Hospital 9 de Julho, em São Paulo. De fato, o sambista foi vítima de complicações severas de um câncer de próstata. O músico batalhava bravamente contra a doença há cerca de um ano. Contudo, a família ainda não divulgou informações oficiais sobre o velório e o sepultamento.
O “Sambeiro Pianeiro” e a Inovação Musical
O artista nasceu na cidade de Nova Friburgo (RJ) em 1941. Posteriormente, a família criou o jovem na capital fluminense. No entanto, Benito Di Paula nunca se enquadrou nos moldes tradicionais do sambista. Longe das tradicionais rodas de cavaquinhos e pandeiros, ele inovou. Na prática, o cantor encontrou a sua própria percussão nas teclas do piano. Por isso, ele se autointitulava “sambeiro” e “pianeiro” com muito orgulho. Dessa forma, Benito aplicou um suingue inconfundível aos seus arranjos musicais. Consequentemente, ele antecipou uma sonoridade histórica no país. Essa grande inovação influenciou o pagode romântico dos anos 1990 profundamente.
O Reinado nos Anos 70 e os Grandes Sucessos
A grande escola musical de Benito foi a noite. Diplomado nas boates, ele percebeu uma oportunidade de ouro. Afinal, o piano poderia fazer as vezes de uma verdadeira bateria de samba. O músico estreou no mercado fonográfico no fim da década de 1960. Contudo, o Brasil inteiro passou a cantar os seus versos apenas nos anos 1970. O divisor de águas veio em 1973 de forma estrondosa. Naquele ano, ele lançou o lendário samba-canção “Retalhos de Cetim”.
Assim, o sucesso abriu caminho para uma era de ouro na música nacional. O reinado durou intensamente até o final daquela década. As seguintes obras tornaram-se verdadeiros hinos populares:
- “Charlie Brown” (1974);
- “Beleza que é você mulher” (1974);
- “Tudo está no seu lugar” (1976);
- “Do jeito que a vida quer” (1976).
Além disso, Benito marcou época com o seu visual transgressor e muito elegante. Ele usava cabelos longos, gravatas borboleta e anéis extremamente chamativos. Em suma, essas características visuais o transformaram em uma figura magnética na televisão brasileira.
Do Rádio aos Tributos Recentes
O seu auge comercial concentrou-se na década de 70. Apesar disso, o talento de Benito continuou rendendo excelentes frutos. Na década de 1980, ele emplacou novos sucessos nas rádios. Por exemplo, “Ah! Como eu amei” (1981) e “Amigo do sol, amigo da lua” (1984) dominaram as paradas. A última canção foi trilha inesquecível da novela “A Gata Comeu” da TV Globo.
O mercado fonográfico mudou drasticamente nos anos seguintes. Porém, o público jamais deixou de celebrar a obra do ídolo. Nos últimos anos, o seu trabalho passou por uma justa reavaliação crítica. O cantor lançou os álbuns “A felicidade é nossa” (2017) e “O infalível zen” (2021). Esse reconhecimento culminou em uma emocionante homenagem no Carnaval paulistano de 2025. A escola de samba Águia de Ouro desfilou com o enredo baseado no sambista. Por fim, o próprio homenageado participou do desfile no alto de um dos carros alegóricos.
Benito Di Paula parte a apenas um mês de completar 85 anos. O piano silencia hoje, mas a voz do gênio ecoará para sempre. Portanto, ele soube fazer o samba ajudar na vida do jeito que a vida quer.
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