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Passeio guiado pelas tradicionais casas do Centro

RIO – O comerciante Roberto Ferreira comanda o negócio de flores que o pai abriu na Praça da Cruz Vermelha, em 1974. Já o chef Rigo Duarte juntou-se a um sócio para reerguer a marca e repetir a receita de um prato lançado pelo avô na década de 1950. O tipógrafo Itamar Kobylinki Moreira mantém a tradição e está à frente de uma gráfica que há três gerações funciona na Praça Mauá. Sob a chancela do projeto Negócios de Valor, que preserva estabelecimentos tradicionais da cidade, esses empresários administram respectivamente a Roseira da Cruz Vermelha, o Angu do Gomes e a Gráfica Marly, que foram incluídos num guia bilíngue de compras, com 24 endereços antigos do Centro do Rio.

MAIS VISIBILIDADE PARA A MARCA

Com tiragem inicial de 24 mil exemplares, a publicação será lançada esta semana pelo Sebrae/RJ e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), dentro de uma estratégia para dar maior visibilidade a casas que carregam parte da história do Rio.

No novo guia de compras, cariocas e turistas vão encontrar endereços já consagrados e badalados, como a Confeitaria Colombo (1894), o Bar Luiz (1887), o Bar Brasil (1907) e a Charutaria Syria (1912). Outra casa com mais de um século, a Chapelaria Alberto (1894) mantém a elegância na Rua Buenos Aires. O lugar teve como clientes Vinicius de Moraes e o rei Alberto, da Bélgica.

Mas a grande bossa será descobrir que em ruas do Centro há lugares que muita gente nunca notou, como a Casa Azevedo, desde 1940 vendendo toda sorte de peças para a montagem de bijuterias. Administrado pela neta do fundador da casa, Vanessa Azevedo, o estabelecimento fica num sobrado protegido pela Apac Corredor Cultural desde 1970. Antes, a loja funcionava num prédio da Avenida Passos. Outro endereço que poucos reconhecem como típico comércio carioca é a floricultura A Roseira da Cruz Vermelha. Para Roberto Ferreira, o segredo da longevidade desses negócios está no DNA:

— Cresci vendo meu pai mexer com flores. Adoro trabalhar com isso. Mas é preciso se modernizar para acompanhar as mudanças, e eu já estou fazendo isso. Criei um página no Facebook e aceito pedido por WhatsApp. Em breve, quero vender pela internet.

Ilustrado com fotos, o guia tem um mapa com a localização das casas no Centro e na Zona Portuária. E traz, além de informações como endereço, telefone e horário de funcionamento, um pequeno texto contando as origens do lugar.

— O projeto nasceu de um movimento de reconhecimento do valor desses negócios tradicionais, seja ele arquitetônico ou imaterial — diz Washington Fajardo, presidente do IRPH.

Os 24 estabelecimentos que entraram no guia passaram por uma peneira que excluiu 24 concorrentes. A publicação, explica Flávia Barbieri, coordenadora de economia urbana do Sebrae, é uma das ferramentas que estão sendo oferecidas aos donos dos negócios.

— O projeto começou ano passado, quando convocamos todos os negócios tradicionais do Centro. Dos 48 inscritos, 24 atendiam a todos os critérios. Depois disso, fizemos reuniões, oferecemos cursos e consultorias sobre valorização da marca, visual da loja, finanças. Devido à consultoria, eles tiveram, em média, um aumento de 20% no faturamento — conta Flávia, acrescentando que o próximo produto de divulgação do projeto será outro livro.

REPUTAÇÃO RECONHECIDA

Para serem consideradas um negócio tradicional, as empresas devem ter, além de uma marca ou reputação reconhecida, uma família à frente do negócio há várias gerações. Outro critério é preservar técnicas e processos de produção artesanais ou tradicionais. É o caso do Angu do Gomes, marca que desde 1955 faz parte da vida do carioca.

— O Angu do Gomes é parte da história do Rio. O negócio começou na década de 50, com uma carrocinha, e na década de 70 meu avô e o sócio chegaram a ter 40 barraquinhas. Nos anos 1990, a casa fechou. Em 2008, decidi retomar a marca e encontrei um sócio, o Marcelo — recorda Rigo, que faz questão de servir o angu à moda antiga, em pratos de alumínio.

A partir da semana que vem, o guia poderá ser encontrado nas lojas citadas na obra, nas bilheterias dos museus de Arte do Rio (MAR) e do Amanhã e nos pontos de informações turísticas da Riotur.


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