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Butantã quer produzir soro contra zika em até um ano

SÃO PAULO – O Instituto Butantã pretende desenvolver, dentro de um ano, um soro contra o vírus zika. Os pesquisadores também estudam incluir a prevenção ao zika na vacina contra dengue, que já chegou ao terceiro estágio de pesquisa e pode ficar pronta em 2018. O soro seria capaz de tratar pessoas já infectadas e evitar que o vírus passasse das mulheres grávidas para seus bebês, o que preveniria casos de microcefalia.O governo federal assinou dois convênios com o Instituto Butantã nesta segunda-feira. Presente à assinatura dos convênios, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o Brasil busca vários caminhos para combater a dengue e o zika e que, enquanto vacinas não estiverem prontas, a população deve continuar combatendo focos de mosquito.

O primeiro acordo prevê investimentos de R$ 300 milhões para pesquisa e produção da vacina contra a dengue nos próximos anos. Nesta terceira fase da pesquisa, a vacina será aplicada em 17 milhões de pessoas. Na segunda fase, com 360 voluntários, a taxa de sucesso foi de cerca de 80%, de acordo com o governo do estado de São Paulo. O segundo convênio prevê o envio de R$ 8,5 da União para o soro que combate a zika.

– Assim como aconteceu com a Aids, quando tivermos uma droga eficaz interrompemos a passagem do vírus zika entre mãe e o bebê – afirmou o secretário estadual de Saúde, David Uip, que evitou dar prazos para que sejam apresentados resultados. – Ainda estamos muito no começo dos trabalhos, mas deve ser mais rápido.

O governo paulista acredita que a elaboração do soro é mais rápida do que o desenvolvimento de uma vacina contra a zika, já que o Instituto Butantã tem experiência de mais de 100 anos na produção de soros. Segundo o diretor do Instituto, Jorge Kalil, o trabalho duraria um ano. Outra frente dos pesquisadores paulistas tem o objetivo de testar se a prevenção ao vírus zika pode ser incluída no desenvolvimento de uma vacina contra a dengue.

– A gente ainda não sabe se a vacina dengue vai funcionar para zika. Mas vamos testar. Como os estudos para zika são muito parecidos com dengue, vacina zika deve ser mais rápida – afirma Kalil, diretor.

O financiamento garantido pelo governo federal será dividido da seguinte forma: R$ 100 milhões serão repassados pelo Ministério da Saúde e R$ 100 milhões virão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para fazer os testes em voluntários. Outros R$ 100 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), será utilizado para a montagem de uma fábrica de vacinas quando a pesquisa terminar.

A presidente Dilma Rousseff afirmou que o Brasil busca vários caminhos para combater a dengue e o zika e que, enquanto vacinas não estiverem prontas, a população deve continuar combatendo focos de mosquito. A presidente deve se reunir nesta terça-feira com representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS).

– Entre o momento em que não temos a vacina e o soro e o momento em que eles estão prontos, só temos uma coisa a fazer: combater o mosquito.

Dilma lembrou que em até 2/3 do caso o mosquito está dentro das residências. Ela convocou a população a procurar pontos de água parada em suas casas pelo menos uma vez por semana.


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