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Americano lança livro sobre o Brazilian way of design

RIO – Há 13 anos o galerista americano Zesty Meyers vem ao Brasil — já visitou o Rio tantas vezes, que se considera metade carioca. Nos anos 1990, pesquisando fotos de Brasília, projetada pelos arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer, ficou impressionado com o estilo dos brasileiros. E resolveu se aprofundar na nossa arquitetura e no nosso design.

— Como, na época, não havia internet, tive que ir ao Brasil, porque sabia que encontraria coisas interessantes. E, de fato, encontrei designers maravilhosos. Fiquei sem entender como o mundo não conhecia o trabalho deles. E resolvi registrar essa história para que ela fosse preservada — conta Zesty, que é dono da galeria R & Company, em Nova York.

Ali foi o início da gestação do livro “The rediscovery of twentieth-century Brazilian furniture” (“A redescoberta do mobiliário brasileiro do século XX”), que acaba de ser lançado nos Estados Unidos pela R & Company, em parceria com a editora Monacelli Press.

Apesar de a ideia de Zesty ser antiga, ela só começou a ganhar corpo há sete anos, quando o galerista convidou o crítico de design americano Aric Chen para escrever o livro. Hoje morando em Hong Kong, após viver um período em Pequim, Aric chegou a passar dois meses no Brasil, entre Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, para mergulhar fundo no material que teria que esmiuçar.

— Entre outras coisas, descobri que o design brasileiro é feito de urgência e paixão. E que os profissionais do Brasil sabem o que é globalização há muito tempo: sempre estiveram em contato e desenvolvendo conexões com designers de outros países — comenta Aric.

RIO TEM CRIAÇÕES MAIS SENSUAIS

O livro traz mais de 400 fotos e ilustrações. Além de dar uma pincelada no design brasileiro do século passado como um todo, a obra se aprofunda nos trabalhos de artistas da movelaria como o carioca Sergio Rodrigues (1927-2014) e o baiano José Zanine Caldas (1919-2001), expoentes do Rio, e a italiana Lina Bo Bardi (1919-1992) e o polonês Jorge Zalszupin, de 94 anos, radicados na capital paulista.

— É perigoso generalizar, mas acho que os designers do Rio têm um trabalho mais sensual, enquanto os de São Paulo têm um apelo mais intelectual em suas criações — arrisca o autor.

Ele compara os estilos de duas crias do Rio: Rodrigues e Zanine Caldas.

— Enquanto Zanine era um ativista social, ambiental e político e tinha um perfil mais selvagem, Sergio Rodrigues tinha um estilo mais relaxado e, além da madeira, costumava usar materiais mais refinados, como o couro, em seus trabalhos,

O galerista Zesty Meyers fala com ainda mais propriedade de Rodrigues, “um grande amigo”:

— Passei dias e noites com ele. Era tão gentil e amável, e isso não era comum entre designers. E Sergio fez a história das cadeiras no Brasil. Ele está fora da curva. Enquanto todos desenhavam quadrados, ele fazia círculos.

Já Zanine Caldas, Zesty classifica como “um homem livre”.

— As peças dele eram tão únicas e masculinas… E Zanine usava tudo o que via pela frente: jacarandá, imbuia, marfim…

Como a publicação ainda não chegou por aqui (a versão em inglês está à venda apenas sob encomenda em um site brasileiro), as famílias dos dois expoentes cariocas não viram o resultado final impresso. Mas ficaram satisfeitas. Viúva de Sergio, Vera Rodrigues diz que é “importantíssimo o trabalho dele ter mais essa divulgação no exterior”. Um dos filhos de Zanine Caldas, o designer Zanini de Zanine, que herdou o talento do pai, usou o mesmo superlativo para comentar a homenagem.

— Meu pai é um capítulo importantíssimo na história do mobiliário brasileiro, não só pelo pioneirismo industrial, mas pela significância do trabalho dele. O bacana é que houve uma retomada do móvel brasileiro no mundo, e esse livro é uma prova de que isso está se consolidando.


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