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Servidores denunciam fraude em sindicato de Caapiranga: de 600 funcionários, apenas 20 puderam votar; veja vídeos

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Servidores denunciam fraude em sindicato de Caapiranga: de 600 funcionários, apenas 20 puderam votar; veja vídeos

Amazonas – A eleição para a nova diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Caapiranga (SINDSERV/CAAP) virou palco de um escândalo e de intensa revolta popular nesta semana. O pleito, realizado sob forte suspeita de fraude, expôs uma manobra antidemocrática que tentou calar a voz de centenas de trabalhadores para favorecer um pequeno grupo familiar.

A crise teve início quando Francimar Ramalho, candidato derrotado nas eleições municipais, conseguiu uma liminar na justiça para assumir interinamente o sindicato e organizar a nova eleição. A partir desse momento, segundo denúncias da categoria, as ações passaram a ser orquestradas no “calar da noite”.

O “Estatuto Fantasma” e a Comissão Familiar

Para viabilizar a exclusão em massa, a gestão interina elaborou e aprovou um novo estatuto sem qualquer convite, conhecimento ou participação da base de mais de 600 servidores efetivos do município. Os trabalhadores denunciam que não tiveram acesso a nenhuma cópia do documento.

A manobra fica ainda mais evidente através de uma Certidão Negativa emitida pelo Cartório de Registro de Caapiranga. O documento oficial comprova a inexistência de qualquer registro do estatuto supostamente aprovado em assembleia. Sem registro legal, as regras foram impostas de forma arbitrária. Para garantir que tudo corresse conforme o plano, Francimar Ramalho colocou seu próprio cunhado, Alessandro Andrade, como representante da Comissão Eleitoral.

Apenas 20 Votantes: Uma Eleição entre Parentes

O ponto mais crítico da suposta fraude foi a limitação do colégio eleitoral. Em um município com mais de 600 funcionários efetivos, a Comissão Eleitoral elaborou uma “Lista de Filiados Aptos a Votar” contendo míseras 20 pessoas.

Longe de representar a pluralidade da categoria, a lista é um verdadeiro reduto familiar e de aliados escolhidos a dedo. Entre os 20 nomes autorizados a votar, destacam-se:

Francimar Ferreira Ramalho (O próprio presidente interino).

Alessandro Andrade (Seu cunhado e membro da Comissão Eleitoral).

Laodiceia Matos Ramalho (Sua esposa).

Nelson Oliveira Matos (Seu sogro).

Mara Marques Ramalho (Esposa de seu irmão).

Shirley Marques de Matos (Irmã de sua esposa. O agravante: ela sequer é servidora municipal, mas sim funcionária do Estado, e foi incluída como membro da chapa única no cargo de Diretora de Políticas Públicas e Inclusão Social) .

Este documento oficial corrobora diretamente uma das principais denúncias feitas pelos servidores. Os servidores alegaram que o estatuto do sindicato não havia sido registrado em cartório. A certidão negativa comprova que, de fato, até o dia da eleição (14/04/2026), não havia nenhum registro de ato aprovado em assembleia recente (03/02/2026) em nome do sindicato no cartório local. Isso dá forte base legal para o questionamento da validade das regras eleitorais aplicadas.

A Revolta dos Servidores e a Exigência por Direitos

A manobra não passou despercebida. Ao descobrirem que seus direitos haviam sido suprimidos, os servidores públicos efetivos se dirigiram em peso à sede provisória do sindicato na manhã do dia 14 de abril de 2026.

Ao chegarem ao local, encontraram as portas abertas apenas para os 20 privilegiados e foram terminantemente proibidos de votar. As chapas de oposição, que tentaram se inscrever regularmente e cumpriram prazos de recurso, foram sumariamente indeferidas sem justificativa plausível e sem espaço para impugnação. Ao questionarem o advogado responsável no local, Cristiano Matos de Cezar, sobre as irregularidades e a falta de transparência, os servidores receberam uma resposta ríspida: “que procurem a justiça”.

Diante do silenciamento forçado, a categoria redigiu um forte manifesto em formato de Ata, assinado dezenas de vezes, onde exige o pleno exercício do direito ao voto e repudia as regras obscuras e burocráticas impostas. A luta do funcionalismo de Caapiranga agora é para que a eleição de cartas marcadas seja anulada e a verdadeira democracia sindical seja restaurada.

 


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