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Rio Negro baixa 5,2 metros em setembro e seca pode ficar entre as três maiores da história

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Rio Negro baixa 5,2 metros em setembro e seca pode ficar entre as três maiores da história

Amazonas – O Rio Negro baixou 5,21 metros em Manaus ao longo de setembro, passando de 24,09 metros no dia 1º para 18,88 metros nesta quarta-feira (30), segundo dados do Porto de Manaus. Entre os dias 19 e 25, a vazante se intensificou, chegando a uma média de 23 centímetros por dia.

No início do mês, especialistas classificavam a descida como rápida, mas ainda dentro do esperado para o período. Em 9 de setembro, quando o rio marcava 22,95 metros, após baixar 94 centímetros em uma semana, a avaliação era de que o nível permanecia dentro da normalidade para a época.

Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) avaliam que a vazante de 2026 poderá ficar entre as três mais severas da história, atrás apenas das registradas em 2023 e 2024. Nos cenários analisados, o Rio Negro pode atingir entre 13 e 16 metros na orla de Manaus. A projeção mais severa aponta para uma cota de 12,92 metros.

Projeções indicam possibilidade de recorde negativo

Cálculos apresentados pelo SGB no início de setembro, com base no histórico da bacia e no comportamento de anos críticos, como 2015, 2023 e 2024, indicavam que o nível do Rio Negro poderia terminar outubro entre 12,31 e 16,50 metros. A faixa de projeção é ampla, mas ambos os extremos representam níveis muito baixos para o período.

No cenário mais pessimista, baseado em padrões semelhantes aos de 2015, a estimativa chegava a aproximadamente 12,92 metros, marca próxima do recorde negativo de 12,66 metros, registrado em 4 de outubro de 2024.Na ocasião, o pesquisador Renato Martinelli, do SGB, afirmou que, caso a projeção se confirmasse, 2026 seria a terceira maior seca da série histórica, ficando atrás apenas de 2023 e 2024.

El Niño pode intensificar a estiagem

Um dos fatores apontados para o agravamento da seca é o El Niño, que voltou a se estabelecer na região neste ciclo. O fenômeno reduz o volume de chuvas sobre a Amazônia justamente no período em que as precipitações seriam importantes para conter a descida do Rio Negro.

Em agosto, análises da Defesa Civil e de pesquisadores já indicavam setembro como um mês decisivo para avaliar a intensidade da estiagem.

Pelo padrão histórico, o nível mínimo do Rio Negro em Manaus costuma ser registrado entre outubro e novembro, antes do início da subida. Com a vazante em ritmo acelerado e as projeções apontando para cenários severos, a expectativa dos órgãos que monitoram a bacia é de que o rio continue baixando nas próximas semanas.


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