Marido se revolta com o abandono das grávidas na Maternidade Ana Braga: “Uma pouca vergonha isso aqui!”

Manaus – Um vídeo que circula nas redes sociais nesta terça-feira (7/4) expõe o cenário de desespero e precariedade enfrentado por gestantes e seus acompanhantes na Maternidade Ana Braga, a maior unidade da rede estadual de saúde do Amazonas. Nas imagens, um homem, visivelmente indignado, denuncia a falta de infraestrutura e o que classifica como descaso administrativo na unidade gerida pelo Governo do Estado.
O registro começa com um embate entre o acompanhante e um funcionário da unidade. Ao ser questionado sobre a gravação, o homem rebate prontamente: “Pode sim, porque você é um funcionário público. Aqui é uma instituição pública!”.
A revolta, no entanto, vai além do direito de imagem. O denunciante afirma que sua esposa recebeu alta médica sem que a família fosse sequer comunicada ou consultada. “Deram alta para minha esposa aqui, ó, sem a gente saber. Estamos desde as 4h30 da tarde aqui”, desabafa, enquanto percorre os corredores da maternidade.
Calor e Falta de Leitos
Ao caminhar pela unidade, o vídeo revela cenas que já se tornaram comuns no cotidiano da saúde pública amazonense: corredores lotados e mulheres em estágios avançados de gravidez aguardando atendimento em bancos comuns.
“Um monte de mãezinha aqui querendo ter filho… essa sala aqui não tem ar-condicionado, quente… não tem leito. Uma pouca vergonha isso aqui!”, exclama o homem no vídeo.
Ao fundo, é possível ouvir o relato de outra paciente que confirma a confusão administrativa: “Deram alta para mim e eu nem sabia que tinham tirado meu nome”.
Responsabilidade Governamental
A Maternidade Ana Braga é de responsabilidade direta da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). Como unidade de referência para partos de alta complexidade, a unidade deveria oferecer suporte e atendimento humanizado, além da infraestrutura adequada, conforme preconiza o SUS.
Entretanto, as queixas de calor excessivo por falta de manutenção nos sistemas de climatização, falta de leitos adequados e a superlotação indicam uma falha crônica na gestão de recursos pelo Governo do Amazonas. A falta de leitos, por exemplo, obriga mulheres em trabalho de parto a aguardarem em condições insalubres, aumentando os riscos para a saúde da mãe e do bebê.
Até o fechamento desta matéria, a SES-AM não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso específico registrado no vídeo ou sobre a previsão de reparos no sistema de ar-condicionado da unidade. O espaço permanece aberto.








