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Sem médico e sem remédio: mãe denuncia espera e sofrimento de mais de 5h da filha no Instituto da Mulher; veja vídeo

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Sem médico e sem remédio: mãe denuncia espera e sofrimento de mais de 5h da filha no Instituto da Mulher; veja vídeo

Manaus — A saga em busca de atendimento médico urgente na rede pública da capital amazonense transformou o dia da dona de casa Priscila, moradora do bairro Jorge Teixeira (Zona Leste de Manaus), em uma exaustiva rotina de angústia e indignação. Com a filha adolescente, Pâmela, sofrendo com dores agudas na região íntima em decorrência de uma bartolinite, inflamação das glândulas de Bartholin que requer drenagem, Priscila percorreu três unidades de saúde até chegar ao Instituto da Mulher Dona Lindu, no bairro Adrianópolis, onde permaneceu das 10h até o meio da tarde sem que a jovem recebesse o procedimento adequado ou sequer medicação para alívio da dor.

Peregrinação pela rede hospitalar

O martírio de mãe e filha começou nas primeiras horas da manhã. Inicialmente, Priscila procurou o Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste (conhecido popularmente como “Joãozinho”), onde a adolescente já havia sido tratada para o mesmo problema em anos anteriores. Segundo o relato da mãe, no passado o atendimento havia sido rápido e eficaz. Desta vez, no entanto, a equipe informou que a unidade estava sem médico especialista disponível para realizar o procedimento e encaminhou a paciente ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio.

Ao chegar ao João Lúcio, a resposta se repetiu: a falta de especialistas forçou um novo encaminhamento, direcionando mãe e filha ao Instituto da Mulher, localizado na Avenida Ipiranga.

“Cheguei aqui às 10 horas com minha filha com dor. Mandaram eu ficar no aguardo e estou esperando há horas. Disseram que não há médico suficiente e não dão uma medicação sequer para a minha filha. Ela não consegue sentar, só senta e levanta, fraca de dor e de fome”, desabafou Priscila durante entrevista à equipe de reportagem do Portal e TV CM7 Brasil.

Horas de jejum e dor sem anestesia

A gravidade do quadro clínico de Pâmela é agravada pela impossibilidade de sentar-se confortavelmente, já que o acúmulo de secreção inflamatória gera intensa pressão e dor na região vulvar. A orientação médica recebida pela família era de que a adolescente deveria manter jejum total em preparação para uma possível drenagem cirúrgica. Sem autorização para comer ou beber, tendo ingerido apenas um refrigerante horas antes, e sem administração de analgésicos intravenosos, o enfraquecimento da paciente tornou-se visível aos que aguardavam na recepção.

“Ela tem que fazer o procedimento aqui, mas que horas? À noite? Ela vai passar o dia todinho com dor e com fome esperando? […] Como eu falei para o doutor: será que eu que vou ter que fazer o procedimento? É uma secreção que precisa ser drenada, quem já teve isso sabe a dor que é”, indagou a mãe.

Durante o período em que permaneceu na unidade, Priscila relatou ter presenciado ao menos outras duas situações críticas na espera: uma mulher desmaiou na recepção e precisou ser socorrida às pressas, e uma gestante passou mal diante dos demais pacientes. De acordo com informações prestadas a ela pelos servidores, haveria apenas um médico ginecologista responsável por atender toda a demanda de urgência e emergência da instituição no momento.

O drama da mãe atípica e a barreira da informação

Além da dor de ver a adolescente sofrer sem assistência, Priscila carrega o peso da preocupação com o restante da família: em casa, no Jorge Teixeira, ela deixou uma filha autista de apenas quatro anos sob cuidados de terceiros enquanto tentava garantir o tratamento de Pâmela.

O ambiente tenso na recepção gerou atritos entre acompanhantes e profissionais da vigilância do hospital. A mãe denunciou que funcionários teriam tentado restringir a entrada da imprensa e cobrado silêncio dos pacientes em espera. “As pessoas põem a fitinha no braço e ficam caladas para esse tipo de atendimento. […] Se você desacata um servidor público, a polícia entra e te leva preso, mas nós estamos no nosso direito de nos expressarmos”, pontuou.

O que diz a administração do hospital

Durante a cobertura no local, a repórter Natália Garcia foi procurada por representantes da unidade de saúde, que informaram que a assessoria de comunicação do hospital se manifestaria para apresentar os esclarecimentos institucionais e o posicionamento da direção sobre a demora no tempo de espera, o fluxo de triagem e o número de médicos plantonistas disponíveis para os procedimentos de emergência.

Entenda o caso: O que é a Bartolinite?

As glândulas de Bartholin estão localizadas na parte inferior da abertura vaginal e têm como função principal a lubrificação da região íntima. Quando o duto de saída dessas glândulas sofre obstrução, por infecção bacteriana ou trauma local, o líquido se acumula, gerando um cisto que pode evoluir para bartolinite (infecção com formação de abscesso).

Sintomas principais: Dor intensa e latejante, inchaço localizado, vermelhidão, febre e extrema dificuldade para caminhar ou sentar.

Tratamento: Em estágios iniciais, pode ser tratada com antibióticos e analgésicos; em casos de abscesso com pus, torna-se imprescindível a drenagem cirúrgica para alívio imediato da dor e evitar a disseminação da infecção.


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