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Negligência: família acusa Samel de perder dreno na UTI e submeter paciente a 5 cirurgias repetidas sem solução; veja vídeo

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Negligência: família acusa Samel de perder dreno na UTI e submeter paciente a 5 cirurgias repetidas sem solução; veja vídeo

Manaus – O local conhecido pelo acolhimento, precisão médica e recuperação transformou-se em cenário de desespero para os familiares de Walderley Lúcio Costa da Silva, que completou 40 anos internado em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Parentes denunciam uma rotina de incertezas, falhas em procedimentos e alegada negligência médica no Hospital Samel, uma das unidades de saúde particulares mais conhecidas de Manaus.

De acordo com os relatos colhidos pela equipe de reportagem em frente à unidade hospitalar, Walderley trava uma dura batalha pela vida desde dezembro do ano passado, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. Inicialmente atendido no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, da rede pública, ele foi posteriormente transferido para o Hospital Samel sob a expectativa de receber um suporte clínico superior por meio da rede privada. No entanto, segundo a família, o quadro evoluiu para uma sequência interminável de internações, febres recorrentes e cirurgias sem que um diagnóstico bacteriológico conclusivo tenha sido apresentado até o momento.

Linha do Tempo: A saga clínica de Walderley Lúcio

Dezembro: Paciente sofre AVC hemorrágico, realiza a primeira cirurgia no Hospital João Lúcio com instalação de Dreno Ventricular Externo (DVE) e é transferido para o Hospital Samel.

Falha na UTI: Segundo denúncia do irmão, equipe técnica da Samel teria perdido o dreno do paciente durante uma troca, obrigando nova cirurgia para reposição do DVE.

Alta polêmica: Após melhora aparente e tratamento antibiótico, hospital descarta colocação de dreno permanente (DVP) e libera o paciente para casa.

Retornos sucessivos: Durante meses, paciente retorna repetidamente ao hospital com febre alta e vômitos, sendo liberado após terapias paliativas.

Última internação: Equipe médica implanta a DVP, mas com persistência dos sintomas retira o dispositivo pouco depois. Paciente aguarda o 5º procedimento cirúrgico para recolocação de DVE.

“Estão retalhando o meu irmão”, denuncia familiar

A frustração dos parentes se agrava diante do que descrevem como um ciclo ineficaz de procedimentos invasivos. Um dos irmãos de Walderley, que preferiu não se identificar por receio de represálias, explicou que durante a internação na UTI do hospital privado, técnicas teriam “perdido” o Dreno Ventricular Externo (DVE) do paciente durante uma manobra de rotina, exigindo uma nova intervenção cirúrgica imediata.

Mesmo após meses apresentando episódios repetidos de febre e vômito — sintomas compatíveis com infecção neurológica persistente —, a equipe médica não teria conseguido identificar qual cepa bacteriana atinge o paciente, limitando-se à administração empírica de diferentes antibióticos.

“A gente não entende o que está acontecendo, porque eles estão retalhando o meu irmão! É uma cirurgia atrás da outra e ninguém descobre. O meu irmão estava bem ontem, hoje já está ruim. É um hospital particular e eu não aceito fazer isso com meu irmão”, irmã do paciente

Crise convulsiva e falta de assistência imediata

A situação atingiu um ponto crítico no dia em que Walderley completava 40 anos de idade. Sua irmã, Kelly, que o acompanhava no quarto, relatou momentos de pânico ao notar uma elevação térmica progressiva no irmão, atingindo 37,5 °C acompanhada de tremores intensos e agitação.

Segundo Kelly, apesar de seus questionamentos reiterados à equipe de enfermagem e à médica plantonista, a resposta limitou-se à promessa de administração de um antitérmico (dipirona). Minutos depois, ao retornar ao leito, ela encontrou o irmão sofrendo uma grave crise convulsiva e com o corpo coberto por vômito.

“Meu irmão começou a se torcer todinho. Comecei a gritar chamando por elas, e elas só fizeram olhar como se fosse uma coisa normal. Disseram para eu ir lá para fora por causa da medicação. Ele já teve um AVC hemorrágico, não poderia chegar a esse ponto de ter convulsão com um dreno na cabeça. Meu maior medo é o meu irmão morrer”, Kelly, irmã do paciente

Kelly ressaltou ainda o impacto emocional devastador sobre a família: a mãe do paciente está abalada e não foi plenamente informada sobre a gravidade das convulsões recentes por recomendação dos próprios filhos, que temem que ela sofra um colapso de saúde diante de notícias tão severas.

Imagens apontam deterioração em leitos de UTI

Além das graves denúncias quanto à condução clínica do caso, registros audiovisuais cedidos pela família expõem supostos problemas estruturais nas dependências de terapia intensiva do Hospital Samel. Nas imagens, são relatados sinais de desgaste físico nas instalações da UTI — rebocos danificados, paredes com infiltrações aparentes e equipamentos em condições visuais de precariedade —, contrastando com a imagem de excelência e tecnologia habitualmente promovida pela instituição privada.

Para os familiares, o sacrifício financeiro de manter em dia as mensalidades e os custos de uma rede particular não está se refletindo no cuidado básico com a vida humana e na resolutividade médica que o caso exige.

O outro lado: Silêncio e posicionamento da instituição

A reportagem buscou contato direto com a direção do Hospital Samel na sede da instituição para obter esclarecimentos sobre os protocolos clínicos adotados no tratamento de Walderley Lúcio, as denúncias de falha no manuseio de drenos hospitalares e as condições de manutenção da UTI. No local, a direção não atendeu a equipe e a assessoria de imprensa orientou que as solicitações fossem formalizadas por e-mail. O espaço permanece aberto para manifestação e esclarecimento integral do hospital aos familiares e à sociedade amazonense.


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