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“Não é ‘meme’, é uma tragédia”: mulher entrevistada em delegacia de Manaus enfrenta problemas psiquiátricos após perder a mãe

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“Não é ‘meme’, é uma tragédia”: mulher entrevistada em delegacia de Manaus enfrenta problemas psiquiátricos após perder a mãe

Manaus – Nas últimas horas, um vídeo gravado no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), em Manaus, viralizou nas redes sociais. Nele, uma mulher loira, bem vestida e articulada — embora com um discurso desconexo e hipersexualizado — concede uma entrevista à imprensa amazonse. Para quem assiste apenas aos cortes rápidos da internet, a cena pode parecer cômica. No entanto, por trás da “personagem” que afirma ser a “Elsa do Frozen” e diz ter “corpinho de 20 anos”, existe uma história real de dor, luto e doenças psiquiátricas não tratadas.

A mulher identificada no vídeo é Elisa Cristina Nunes, de 40 anos. Jornalista de formação e teóloga, Elisa foi detida pela Polícia Militar na região da Matinha sob a acusação de tentar agredir um policial. Na delegacia, visivelmente em surto, ela alternou entre momentos de lucidez — citando seus diplomas e histórico profissional — e delírios graves, envolvendo figuras políticas e teorias sobre sua vida conjugal.

Mas o que as câmeras captaram não foi uma performance intencional, e sim um pedido de socorro silencioso.

Uma sucessão de tragédias

Quem conheceu Elisa no passado a descreve como uma mulher extremamente inteligente, linda e com um talento notável para o canto, tendo crescido na igreja entoando louvores. Contudo, a estrutura emocional de Elisa foi minada por uma sequência devastadora de perdas familiares e traumas físicos.

A jornalista perdeu o pai e, posteriormente, um irmão em um acidente de carro. A tragédia no trânsito, inclusive, marcou sua própria pele. Há alguns anos, Elisa sofreu um gravíssimo acidente ao colidir o carro contra uma árvore, ficando presa às ferragens. No vídeo da delegacia, ela chega a mencionar brevemente o ocorrido e a perda de movimentos. A realidade é que ela passou meses no hospital, com sequelas motoras temporárias nas pernas e mãos, sobrevivendo ao que muitos consideraram um milagre.

Além das dores físicas, Elisa enfrenta o vazio da maternidade interrompida. Ela perdeu a guarda de dois filhos para o ex-marido e, segundo relatos, é impedida de manter qualquer contato com eles, um fato que ela menciona de forma confusa durante a entrevista ao citar que seus filhos foram “tirados dela”.

O fim da rede de apoio

O colapso definitivo de sua saúde mental parece ter ocorrido após a perda de seu alicerce: sua mãe. Apóstola de uma igreja e a única pessoa que se dedicava integralmente aos cuidados de Elisa — ajudando a conter os surtos e administrar o tratamento —, ela faleceu vítima de COVID-19.

Desde então, Elisa ficou sozinha. Sem a mãe e sem o convívio com os filhos, a jornalista se viu sem uma rede de apoio capaz de garantir a continuidade de seu tratamento psiquiátrico. Durante a entrevista no 1º DIP, ela mesma admite a necessidade de medicação controlada, citando o uso de Carbonato de Lítio (Carbolítio), um estabilizador de humor fundamental para transtornos como a bipolaridade. No entanto, em seu delírio, afirma ter parado a medicação para “substituí-la por sexo”, um comportamento típico de fases maníacas agudas, onde a hipersexualidade e a desinibição são sintomas, não escolhas.

A repórter Eloiza Lima, que conduziu a entrevista, percebeu a gravidade da situação. Ao final da transmissão, a jornalista pontuou que, apesar da confusão e do teor das falas, tratava-se de alguém que precisava de auxílio médico, e não apenas de uma cela. “É uma pessoa que precisa de ajuda”, resumiu a repórter, notando que a detida estava em uma “lombra” que talvez só passasse com o tempo ou medicação adequada.

 


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