Moradores do conjunto Manauara 2, no bairro Santa Etelvina, protestam após ficarem 4 dias sem Água

Manaus – O que era para ser um desligamento programado com previsão de retorno em 48 horas transformou-se em um pesadelo prolongado para os moradores da Etapa B do Conjunto Habitacional Manauara 2, localizado no bairro Santa Etelvina. Desde a última quarta-feira, a comunidade lida com torneiras secas, desabastecimento e o descaso da concessionária Águas de Manaus, agravando a rotina da população em meio ao calor intenso que castiga a capital amazonense.
O Falso Fim do Desligamento Programado
De acordo com a denúncia, a Águas de Manaus realizou uma manutenção na região, mas o reabastecimento ocorreu de forma desigual. Enquanto a Etapa A do conjunto voltou a receber água normalmente, a Etapa B permaneceu completamente desabastecida.
Os moradores apontam que o problema crônico reside na estrutura da casa de bombas do condomínio. Segundo relatos, a concessionária removeu as três bombas instaladas originalmente e as substituiu por apenas um equipamento de menor capacidade. Essa bomba provisória não possui pressão suficiente para encher os reservatórios e levar a água até os apartamentos localizados nos andares mais altos, como o quinto andar.
A frustração da comunidade atingiu o ápice no sábado de manhã, quando um técnico da empresa foi ao local tentar solucionar o problema, mas foi embora sem realizar o conserto porque não tinha a chave do cadeado que dá acesso à casa de máquinas.
População Vulnerável e Água Imprópria
A falta de água paralisou atividades essenciais como cozinhar, tomar banho e realizar a higiene doméstica. A situação toma contornos dramáticos devido ao perfil dos residentes do conjunto, que abriga um alto número de pessoas em situação de vulnerabilidade. A comunidade é formada por:
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Pessoas com Deficiência (PCDs).
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Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
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Cadeirantes e moradores recém-operados necessitando de cuidados especiais.
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Pacientes oncológicos que precisam de higienização rigorosa, como é o caso de um morador que faz uso contínuo de bolsa de colostomia.
A única tentativa de alívio por parte da concessionária foi o envio de um caminhão-pipa durante a madrugada. No entanto, o volume não deu conta de abastecer todos os moradores. Além disso, a água fornecida apresentou uma coloração amarela e suja, tornando-a totalmente imprópria para o consumo, higiene pessoal e preparo de refeições.
“Vento” Encanado, Contas Altas e Ameaças de Corte
Além da privação do recurso básico, a comunidade denuncia uma grande injustiça financeira. Com as tubulações secas, a forte entrada de ar faz com que os hidrômetros continuem girando quando os moradores abrem as torneiras, gerando cobranças exorbitantes por um serviço não prestado.
Os residentes reclamam que a Águas de Manaus não oferece qualquer tipo de desconto pelos dias em que o abastecimento esteve interrompido. Ironicamente, equipes de fiscalização da concessionária continuam visitando o condomínio para ameaçar e efetuar o corte no fornecimento de quem possui faturas em atraso, ignorando o fato de que não há água saindo das tubulações.
O mato alto e a sujeira ao redor da caixa d’água principal ilustram o abandono estrutural denunciado pelos cidadãos. A comunidade do Manauara 2 agora exige não apenas o restabelecimento imediato da água, mas a presença de uma equipe técnica qualificada que realize a manutenção definitiva das bombas, garantindo que o direito básico à água seja restabelecido com dignidade.

