Exploração de adolescente custa caro: empresa é condenada a pagar R$ 470 mil

Manaus (AM) – Uma empresa do ramo alimentício foi condenada pela Justiça do Trabalho a desembolsar mais de R$ 470 mil após ser acusada de explorar um adolescente venezuelano em condições consideradas análogas à escravidão na capital amazonense.
De acordo com a decisão da 4ª Vara do Trabalho de Manaus, o jovem começou a trabalhar aos 14 anos, sem carteira assinada, realizando atividades na produção e também em entregas. O processo aponta que ele manuseava objetos cortantes e enfrentava jornadas consideradas irregulares.
As investigações revelaram ainda um cenário alarmante. O adolescente e sua família viviam em um imóvel fornecido pela própria empresa, mas sem acesso a água encanada e energia elétrica. Para a Justiça, a situação contribuía para uma relação de dependência dos trabalhadores em relação aos responsáveis pelo negócio.
Fotos, vídeos e depoimentos de testemunhas foram usados para comprovar as denúncias. O processo também relata episódios de humilhações e ofensas constantes contra o adolescente. Durante uma fiscalização, a empresa teria tentado ocultar a presença do menor no local.
Além do pagamento de verbas trabalhistas, a condenação inclui indenização por danos morais. O caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que poderá apurar possíveis crimes relacionados aos fatos. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.







