Eletricistas terceirizados da Âmbar paralisam atividades em Manaus exigindo reajuste salarial e melhores condições de trabalho; vídeo
Manaus – Na manhã desta segunda-feira (14/9), as ruas do bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus, foram palco de uma grande mobilização. Cerca de 350 eletricistas e funcionários da Norte Tech, empresa terceirizada que presta serviços para a fornecedora de energia Âmbar, decidiram paralisar suas atividades. Com aproximadamente 200 veículos de serviço estacionados ao longo da via, os trabalhadores cobram de forma pacífica por reajustes salariais, melhores benefícios e condições dignas de trabalho.
De acordo com os manifestantes, a pauta de reivindicações não envolve salários atrasados, mas sim a ausência de um reajuste básico que estaria defasado há anos. Érickson Lopes, funcionário da empresa há oito anos, explicou que a categoria não está pedindo “nada demais”, apenas um salário digno. Segundo ele, a remuneração base atual da classe é de R$ 2.071, quando o valor correto, com os devidos reajustes, deveria ser de R$ 2.158.
Além da questão salarial, os trabalhadores apontam que os benefícios atuais são insuficientes para a realidade econômica. O auxílio-alimentação pago pela empresa é de R$ 840, valor que, segundo Érickson, dura no máximo dez dias, visto que as equipes passam o dia inteiro nas ruas e precisam arcar com refeições fora de casa. O vale-transporte também é alvo de críticas: os funcionários recebem R$ 150, mas reivindicam o aumento para R$ 250. Há também pedidos para a implementação de auxílio-creche.
Jornadas exaustivas e infraestrutura precária
O desgaste físico da profissão foi outro ponto fortemente destacado durante a paralisação. Os trabalhadores, especialmente os do setor de expansão de redes (DOT), relatam jornadas de trabalho exaustivas sob o forte sol de Manaus, com horário fixo para entrar, mas sem previsão para encerrar o expediente.
As queixas se estendem também à infraestrutura oferecida aos empregados. Durante a manifestação, circularam denúncias em vídeo mostrando banheiros da empresa em condições precárias e com vasos sanitários quebrados, configurando, segundo os apoiadores do movimento, uma “situação humanitária”.
Protesto pacífico e cumprimento de ordem judicial
O ato tem se mantido de forma totalmente pacífica e ordeira. O Sargento Loiola, que esteve presente no local prestando apoio moral e psicológico aos trabalhadores, fez questão de ressaltar que a manifestação é um direito de pais de família e cidadãos de bem. Ele esclareceu que não atua como líder do movimento, mas sim como uma “voz na mídia” para ajudar a dar visibilidade à causa.
Loiola destacou ainda o compromisso dos trabalhadores com a legalidade. Após uma decisão judicial determinar que os manifestantes mantivessem uma distância de 50 metros da entrada e saída da empresa, a categoria acatou a ordem imediatamente, utilizando até mesmo trenas para medir e garantir o cumprimento da distância estipulada.
O local conta com o acompanhamento de agentes da Polícia Militar, Força Tática e Batalhão de Trânsito, que garantem a segurança e a ordem. Até o fechamento desta matéria, a mobilização seguia sem registros de conflitos ou vandalismo, aguardando um posicionamento oficial das empresas Âmbar e Norte Tech em relação às reivindicações trabalhistas.

