Ar tóxico e calor infernal: Manaus atinge pior nível de fumaceira de 2026 após recorde de calor; veja dados
Manaus – Os moradores de Manaus acordaram nesta quarta-feira (23) enfrentando um cenário sufocante. Apenas 24 horas após registrar a tarde mais quente do ano, a capital amazonense foi encoberta pela pior camada de fumaça de 2026. Esta é a quarta vez em menos de 30 dias que a cidade amanhece imersa em névoa tóxica, um reflexo direto do avanço desenfreado das queimadas no interior do estado aliado ao período de forte estiagem.
Qualidade do ar atinge patamares alarmantes
O monitoramento feito pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (App SELVA), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), expôs a gravidade da situação logo nas primeiras horas do dia. Oito das 12 estações de medição da cidade amanheceram com o ar classificado como “Péssimo”, o nível mais crítico da escala do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que define essa categoria para concentrações de partículas MP2.5 acima de 125 µg/m³.
O pico de poluição foi registrado na zona sul, atingindo impressionantes 437,4 µg/m³ na região do Distrito Industrial e Morro da Liberdade, valor que supera em mais de três vezes o limite para o ar já ser considerado perigoso.
Outras zonas da cidade também registraram índices que representam risco severo à saúde pública:
- Chapada / Parque Dez de Novembro: 259,8 (Péssimo)
- Região do Aeroporto: 228,9 (Péssimo)
- Compensa / Zona Oeste: 219,9 (Péssimo)
- Aparecida / Centro: 184,0 (Péssimo)
- Cachoeirinha / Educandos: 173,0 (Péssimo)
- Coroado / Zona Leste: 153,2 (Péssimo)
- Aleixo / Flores: 116,3 a 117,6 (Muito Ruim)
Raras exceções, como pontos isolados nos bairros Nossa Senhora das Graças e Praça 14, mantiveram a qualidade do ar na faixa considerada “Boa” no momento da medição.

Calor histórico e o avanço das queimadas
A fumaça encobre a cidade no rastro de um dia de calor extremo. Na tarde de terça-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) cravou a maior temperatura do ano em Manaus: média de 38,6°C, com os termômetros do Aeroporto ultrapassando a barreira dos 39°C.
Esse clima excessivamente quente e seco cria o ambiente ideal para a proliferação do fogo. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que o Amazonas já acumula mais de 5,2 mil focos de queimadas em 2026. O volume já é 15% superior a todo o total registrado ao longo de 2025, quando foram contabilizados 4.545 focos.
A crise está concentrada majoritariamente no sul do estado. O município de Apuí lidera o ranking estadual com 944 focos — sendo o terceiro com mais registros em todo o Brasil, atrás apenas de Altamira (PA) e Lagoa da Confusão (TO). Novo Aripuanã também se destaca negativamente na nona posição nacional, com 641 focos registrados.
Recomendações e cuidados com a saúde
Com a previsão de mais um dia quente e seco, com umidade baixa e máximas que podem chegar aos 37°C, especialistas de saúde alertam que a exposição contínua a esses níveis de poluição agrava severamente problemas respiratórios (como asma, bronquite e rinite) e quadros cardiovasculares.
Para mitigar os danos durante a crise ambiental, as autoridades recomendam:
Suspender atividades físicas ao ar livre, especialmente nas horas mais quentes do dia.
Reforçar a hidratação, bebendo água de forma abundante e contínua.
Umidificar os ambientes internos utilizando aparelhos umidificadores, bacias com água ou toalhas molhadas.
Utilizar máscaras de proteção (modelo PFF2/N95) ao sair de casa, medida fortemente indicada para idosos, crianças e pessoas com comorbidades.



