Aprovados em concursos de 2021 e 2022 das Polícias Civil e Militar fazem protesto por nomeações em Manaus; veja vídeo

Manaus – Na manhã desta quarta-feira (27), dezenas de aprovados nos concursos públicos de 2021 e 2022 da Polícia Civil (PC-AM) e da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) realizaram uma manifestação em frente à sede do Governo do Estado, no bairro Compensa, zona oeste de Manaus. O grupo, que representa cerca de 1.000 famílias, cobra a nomeação imediata para os cargos e alerta para um grave déficit de profissionais nas forças de segurança amazonenses.
A mobilização teve início nas primeiras horas do dia. Os manifestantes se concentraram às 5h45 nas proximidades do Museu da Amazônia (Musa), na zona norte da capital, de onde partiram em carreata e motociata até a sede do poder executivo estadual. De forma pacífica, o objetivo principal foi abrir um canal de diálogo com o atual governador, Roberto Cidade, e cobrar um cronograma oficial de chamamento.
Polícia Civil: Delegacias fechadas e efetivo estagnado
Para os cargos da Polícia Civil, o cenário relatado pelos aprovados é de estagnação. Luiz Goraieb, aprovado para o cargo de investigador, explicou que o primeiro curso de formação graduou 600 policiais, mas 160 deles ainda aguardam a nomeação após quase três anos. Além disso, outros 631 candidatos aprovados em todas as etapas continuam esperando a abertura de um segundo curso de formação.
Goraieb destacou como esse gargalo afeta diretamente a população: “A gente percebe, andando pela capital amazonense, que delegacias fecham às 17h e não funcionam aos finais de semana e feriados. Ficam apenas quatro centrais de flagrante para atender todos os casos da capital. O interior está sem delegacia e todo o efetivo está sobrecarregado.”
Segundo o investigador aprovado, as nomeações feitas até o momento serviram apenas para repor servidores que se aposentaram, o que significa que o efetivo total do órgão permanece o mesmo de 2021, quando o edital foi lançado.
Polícia Militar: Vacância de 50% nas ruas
A situação da Polícia Militar apresenta uma lacuna legal expressiva. Paulo Machado, representante dos soldados aprovados, apontou que a lei prevê um quadro de 15.000 policiais militares para o estado. No entanto, atualmente, apenas cerca de 7.000 homens estão efetivamente patrulhando as ruas.
“Existe uma vacância de 50%. Cabe perfeitamente chamar esses mil soldados que já estão aprovados, aptos e homologados no Diário Oficial. A população precisa deles”, afirmou Machado. Ele frisou que a segurança pública não deve depender apenas de tecnologia para resolver crimes já cometidos, mas sim de policiamento preventivo ativo nos bairros.
Cobrança política e expectativas
O protesto também carrega um forte apelo político, ocorrendo a cerca de três meses das eleições para o governo estadual. Os manifestantes lembraram que o atual governador, Roberto Cidade — que assumiu o executivo em um mandato “tampão” —, havia afirmado anteriormente, quando ainda presidia a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que resolveria a situação dos aprovados caso estivesse na cadeira de governador.
“Ele tem demonstrado vontade de fazer mudanças na segurança pública, com apreensões de drogas e ações atuantes. Acreditamos que ele vai se sensibilizar, nos chamar para dialogar e dar uma resposta positiva logo”, declarou Machado.
Apesar do tom de esperança no diálogo, as comissões de aprovados garantem que a mobilização não vai parar caso sejam ignorados. Eles ressaltam que o investimento nas forças policiais, que inclui também órgãos como Bombeiros e Detran, é o passo mais urgente e básico para garantir a segurança da sociedade amazonense.








