Após 6 meses de impunidade, pais de Benício cobram justiça pela morte do filho no Hospital Santa Júlia; vídeo

Manaus – Seis meses de saudade e de uma ferida que jamais cicatrizará. Nesta sexta-feira (22/05), o Amazonas e o Brasil relembram com tristeza e indignação a partida do menino Benício Xavier, de 6 anos, que teve sua infância brutalmente silenciada. A morte prematura, fruto de um erro médico no Hospital Santa Júlia, interrompeu os sonhos de uma vida inteira e ainda ecoa como um grito por justiça.
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As envolvidas no caso, tanto a médica Juliana Brasil quanto a técnica de enfermagem Raíza Bentes Paiva, seguem impunes e exercendo as suas funções, o que gera revolta não somente na família, mas também nas pessoas que acompanharam toda essa situação.
A família pede a responsabilização pelo crime e cassação do CRM da médica Juliana Brasil e do Coren da técnica de enfermagem Raíza Bentes Paiva, além da penalização do hospital onde tudo aconteceu. A situação também reforçou a importância da instalação de procedimentos mais rígidos dentro dos hospitais, para que casos como o de Benício não se tornem rotina, e mais famílias não sejam destruídas por erros médicos.
Relembre o caso Benício
Benício deu entrada no Pronto-Socorro do Hospital Santa Júlia no dia 22 de novembro de 2025, por volta das 13h, após ter um quadro de febre e tosse seca durante uma semana. O jovem foi diagnosticado com laringite aguda, uma infecção causada na laringe por vírus.
No entanto, já na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pediátrica, após a introdução de 9 miligramas de adrenalina de concentração de 1 miligrama por litro, Benício evoluiu o quadro de saúde para insuficiência respiratória, precisando também ser entubado. O garoto teve parada cardíaca e precisou de suporte respiratório de máquinas.Ele teve falência cardiorrespiratória e foi constatada morte cerebral às 2h55 do dia 23 após ter sangramentos.
A enfermeira que introduziu o medicamento negou a acusação informando que estava há sete meses no hospital e que não houve qualquer tipo de treinamento ou implementação de protocolos voltados à segurança do paciente. Ela, no entanto, confirmou ter conhecimento dos efeitos colaterais que a administração intravenosa de adrenalina poderia causar.
Em interrogatório, a médica responsável pela descrição, Juliana Brasil, teria dito que houve um “bug” no sistema de cadastro das receitas do hospital, no qual ela teria pedido medicação inalatória, mas houve uma mudança para a intravenosa. Ela afirma que avisou a mãe da criança que a adrenalina seria administrada por nebulização, quando o remédio é diluído em soro fisiológico.
Ou seja, o remédio foi aplicado sem verificação em Benício. Além disso, Juliana também continha um carimbo profissional inscrito “pediatria”, mas foi constatada a não capacitação profissional, segundo o CFM (Conselho Federal de Medicina).
Ela também teria adulterado um vídeo em que mostra o problema no sistema de informações hospitalares, além de se ausentar da unidade no momento em que o menino apresentava estado de saúde grave.
Após a conclusão do inquérito policial, a médica Juliana Brasil, responsável pela aplicação, foi indiciada pela Polícia Civil do Amazonas pelos crimes de homicídio qualificado pelo emprego de veneno, falsidade ideológica, uso de documento falso e fraude processual.
O relatório final aponta que não há dúvidas quanto à autoria e materialidade dos delitos imputados, restando comprovada a morte decorrente de erro médico. O indiciamento será submetido à Justiça para o início da ação penal.








