Âmbar Energia leva Japiim ao colapso: Mais de 12h sem luz e moradores protestam na rua contra a empresa
Manaus – Revolta, calor e prejuízo. Moradores do Japiim, na zona Sul de Manaus, foram às ruas na noite desta quarta-feira (9) depois de passarem mais de 12 horas sem energia elétrica. Segundo os relatos, o fornecimento caiu por volta das 8h da manhã e ainda não havia sido completamente restabelecido durante a noite.
A manifestação aconteceu nas proximidades das ruas Jorge Bivácua e 6. Para chamar atenção para a situação, moradores colocaram fogo em materiais no meio da via. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas foi acionado e acompanhou a ocorrência enquanto equipes trabalhavam na rede elétrica.
O apagão atingiu em cheio a rotina de famílias que passaram o dia tentando lidar com geladeiras desligadas, alimentos descongelando, calor dentro das casas e dificuldades para cuidar de crianças e idosos.
Bebê de cinco meses precisa de inalação
Entre os relatos mais preocupantes está o de uma mãe identificada como Vanessa. Ela contou que tem um bebê de apenas cinco meses que precisa realizar inalações por causa de um problema respiratório.
Sem energia, a família ficou impossibilitada de usar normalmente o equipamento.
“Estamos desde as oito horas sem energia. Eu tenho um bebê de cinco meses que precisa fazer inalação. Estou embalando meu filho na varanda desde a tarde, no calor”, relatou.
Para quem tem criança pequena, idosos ou pessoas que dependem de aparelhos elétricos para cuidados de saúde, ficar tantas horas no escuro deixa de ser apenas um transtorno e passa a representar uma situação de preocupação ainda maior.
Comida descongelando e até falta de água
Moradores também relataram prejuízos com alimentos armazenados em geladeiras e freezers. Com tantas horas sem eletricidade, produtos começaram a descongelar e algumas famílias afirmaram enfrentar dificuldade até para conseguir água potável.
“Estamos sem energia desde as 8 horas da manhã. As crianças precisam ir para a escola, o povo precisa trabalhar amanhã. A alimentação está toda na geladeira descongelada. Não temos água para beber”, contou uma representante da comunidade.
Segundo os moradores, as tentativas de conseguir atendimento e uma solução para o problema também teriam sido frustrantes.
Moradores dizem que problemas são frequentes
A revolta não seria apenas pelo apagão desta quarta-feira. Durante o protesto, moradores afirmaram que as interrupções de energia têm ocorrido de forma recorrente na região e relataram problemas anteriores envolvendo transformadores e a fiação elétrica.
Uma equipe teria começado o serviço durante o dia, mas não conseguiu concluir o reparo. Posteriormente, outra equipe foi encaminhada para auxiliar nos trabalhos.
Até a noite, porém, moradores continuavam esperando pela normalização.
As reclamações sobre possíveis falhas nos transformadores e na rede representam relatos da comunidade e ainda precisam de avaliação técnica para determinar a origem dos problemas.
Morador relata princípio de incêndio
Outro ponto que aumentou a tensão foi o relato de um princípio de incêndio em um estabelecimento comercial próximo à avenida Tefé.
Segundo um morador, as chamas teriam relação com a rede elétrica e foi necessário utilizar um extintor para controlar a situação.
A comunidade também questiona intervenções recentes realizadas na rede e afirma que os problemas teriam ficado mais frequentes após mudanças na fiação e em equipamentos.
Até o momento, porém, não há confirmação técnica de que essas intervenções tenham provocado as ocorrências relatadas.
Protesto mostra tamanho da insatisfação
A manifestação expôs a indignação de famílias que dizem estar cansadas de conviver com interrupções no fornecimento e com a incerteza sobre quando o serviço será normalizado.
Em uma cidade onde o calor pode tornar uma casa sem ventilador ou ar-condicionado praticamente insuportável, passar mais de 12 horas sem energia significa comida estragando, crianças sofrendo com o calor e famílias sem saber quando a luz vai voltar.
A Âmbar Energia foi procurada para explicar o motivo da interrupção, quais serviços estavam sendo realizados na região e qual seria a previsão de restabelecimento completo.
Até a divulgação das informações, não havia sido apresentada uma resposta da concessionária.

