Amazonas – A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) alertou para o aumento dos casos de feminicídio no Brasil e cobrou o reforço da rede de atendimento às mulheres no estado. A manifestação foi feita durante o 2º Fórum Estadual de Políticas para as Mulheres do Amazonas, realizado nesta sexta-feira (27), no Palacete Provincial, no Centro de Manaus, em meio à preocupação com o crescimento dos números de violência.
Segundo a defensora pública Caroline Braz, coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), o enfrentamento ao feminicídio exige ação conjunta entre órgãos públicos, investimentos contínuos e o cumprimento efetivo das leis de proteção. Ela destacou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apontam 1.568 feminicídios em 2025, o que representa um aumento de 4,7% em relação ao período anterior.
Caroline Braz reforçou a necessidade de ampliar e integrar os serviços de atendimento, evitando que as vítimas precisem percorrer diferentes órgãos em busca de ajuda. Entre as propostas defendidas está a criação da Casa da Mulher Brasileira, espaço que reuniria em um único local instituições como Defensoria, Delegacia da Mulher, Ministério Público e Tribunal de Justiça, facilitando o acesso e reduzindo a revitimização. Ela também alertou que 87% das vítimas de feminicídio não possuíam boletim de ocorrência nem medida protetiva, o que reforça a importância de buscar a rede de proteção.
A defensora chamou atenção ainda para a falta de informação como um dos principais obstáculos. Segundo ela, muitas mulheres desconhecem serviços disponíveis, como casas abrigo e o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores. A orientação, conforme destacou, é fundamental para que mais mulheres conheçam seus direitos e consigam acessar a rede de atendimento.
O Fórum Estadual de Políticas para as Mulheres foi promovido pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), por meio da Secretaria Executiva de Políticas para as Mulheres, reunindo representantes de órgãos públicos e debatendo temas como igualdade no trabalho, educação, saúde integral e o enfrentamento à violência contra a mulher.