Crise vem antes da Âmbar: problemas da Amazonas Energia se agravaram sob antigo controle
Amazonas – A crise da distribuição de energia no Amazonas não começou com a Âmbar Energia. Quando a empresa assumiu o controle da Amazonas Energia, em abril de 2026, encontrou uma concessão que já vinha de anos de dificuldades financeiras e problemas na prestação do serviço.
A Amazonas Energia foi privatizada em dezembro de 2018 e teve o controle transferido ao consórcio Oliveira Energia-Atem em abril de 2019, tendo Orsine Rufino de Oliveira como acionista controlador. Naquela época, a concessionária já carregava problemas históricos de sustentabilidade econômica e de qualidade do serviço.
Nos anos seguintes, porém, a situação da concessionária permaneceu crítica. Em 2021, diante da grave situação econômico-financeira da empresa, a Aneel estabeleceu um Plano de Resultados para tentar melhorar o desempenho da distribuidora. O acompanhamento dos primeiros nove meses, entre outubro de 2021 e junho de 2022, mostrou que a Amazonas Energia não havia alcançado os resultados projetados. A agência também registrou geração de caixa negativa e dívida líquida superior a R$ 7,9 bilhões naquele período.
Veja:

A situação se deteriorou a ponto de a própria Aneel recomendar, em novembro de 2023, a caducidade da concessão. Em janeiro de 2024, a agência negou o recurso apresentado pela empresa e manteve a recomendação.
Veja:

Os problemas também apareciam no atendimento aos consumidores. Em 2023, a Ouvidoria da Amazonas Energia registrou 3.949 reclamações de segundo nível, das quais 1.684 foram consideradas procedentes. No terceiro nível, por meio da Aneel, foram registradas 1.041 reclamações, sendo 634 procedentes. Entre elas, 61% estavam relacionadas à qualidade do fornecimento.
Confira:

Em fevereiro de 2024, um relatório elaborado por um Grupo de Trabalho do Ministério de Minas e Energia traçou um diagnóstico crítico da situação da Amazonas Energia. O documento apontou uma condição econômico-financeira considerada “insustentável”, associada ao elevado endividamento, à inadimplência e à baixa geração de caixa, além de registrar que a empresa enfrentava dificuldades para operar dentro dos critérios de eficiência previstos nas tarifas.
Foi nesse cenário que a Âmbar assumiu a distribuidora em abril de 2026. A mudança de controle, portanto, marcou uma nova etapa da concessão — e não o início dos problemas.
A nova controladora anunciou R$ 5,5 bilhões em investimentos até 2031 para modernização e expansão da rede. O desafio agora é recuperar uma estrutura que chegou à nova gestão depois de anos de desequilíbrio financeiro, cobranças regulatórias e reclamações dos consumidores.
Veja o relatório que já alertava para a crise da Amazonas Energia:

