Com queda de 82%, AM fica entre estados com menos fogo na Amazônia Legal
Amazonas – O Amazonas encerrou 2025 com um dado inédito para o meio ambiente: o menor número de focos de calor já registrado desde o início do atual sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 23 anos de acompanhamento contínuo.
Entre janeiro e dezembro, foram identificados 4.545 focos em todo o estado, a primeira vez que o total anual fica abaixo da marca de 5 mil. O resultado contrasta com o cenário de 2024, quando o Amazonas contabilizou 25.499 registros, e representa uma queda histórica de 82,18%.
Redução inédita e mudança de rota
Os números colocam o Amazonas entre os estados com desempenho mais positivo da Amazônia Legal, respondendo por apenas 6% de todos os focos registrados no bioma em 2025. Segundo o governo estadual, o recuo expressivo reflete uma combinação entre:
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clima mais favorável,
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reforço operacional,
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monitoramento em tempo real
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e investimentos em estrutura e tecnologia.
Presença ampliada em municípios críticos
A presença do Corpo de Bombeiros Militar foi apontada como peça-chave na virada. Em um ano, o número de municípios com equipes permanentes dobrou, passou de 11 para 22 cidades.
As novas bases receberam viaturas Auto Bomba Tanque de 10 mil litros, além de novos equipamentos e efetivo ampliado.
O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, afirmou que o avanço permitiu “resposta rápida e proteção do território, evitando que focos pequenos virassem grandes incêndios”.
Políticas públicas alinhadas e monitoramento constante
O secretário de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, destacou que a queda recorde também é resultado de ações integradas com órgãos estaduais, alianças internacionais e financiamentos como o do Fundo Amazônia e do banco alemão KfW.
“Ampliamos a presença do Corpo de Bombeiros em mais de 90% dos municípios críticos. A atuação integrada colocou o Amazonas entre os estados com menor participação no fogo ilegal da Amazônia”, disse Taveira.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, reforçou o impacto do acompanhamento diário via imagens de satélite do Inpe, que permite intervenções antes do incêndio se espalhar.
Onde as queimadas ocorreram
A distribuição dos 4.545 focos em 2025 aponta:
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704 focos (15,49%) em áreas de gestão estadual
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2.788 (61,34%) em áreas federais
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1.053 (23,17%) em “vazios cartográficos” — regiões sem definição fundiária clara
Resultado histórico, mas alerta permanente
Apesar da queda drástica, órgãos ambientais reforçam que o combate às queimadas é uma batalha contínua, e o risco de aumento permanece em períodos mais secos, especialmente em áreas invadidas e pressionadas pela grilagem e pelo desmatamento.
O ano termina com um indicador de que investimento e presença estatal fazem diferença, mas especialistas lembram:
sem fiscalização constante, o fogo pode voltar a subir.


