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Biólogo encontra aranha caranguejeira ‘zumbi’ como em The Last of Us no Amazonas; veja vídeo

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Biólogo encontra aranha caranguejeira ‘zumbi’ como em The Last of Us no Amazonas; veja vídeo

Amazonas – A floresta amazônica entregou mais uma cena que parece diretamente inspirada em The Last of Us: pesquisadores brasileiros e dinamarqueses encontraram uma aranha caranguejeira gigante (Theraphosa blondi*, a famosa tarântula-golias) completamente dominada por um fungo parasita do gênero Cordyceps. O microrganismo, identificado como Cordyceps caloceroides, age de forma semelhante ao Cordyceps cerebral da série da HBO — sequestrando o controle do hospedeiro, manipulando seu comportamento e, por fim, consumindo-o de dentro para fora, deixando-o com aparência de “zumbi” coberto por estruturas fúngicas alaranjadas.

O achado aconteceu na Reserva Adolpho Ducke, próxima a Manaus (AM), durante um curso intensivo de micologia liderado pelo biólogo João Paulo Machado de Araújo, da Universidade de Copenhague. A estudante Lara Fritzsche capturou o momento em vídeo: a imensa aranha marrom-dourada, uma das maiores do planeta, surge tomada por ramificações vibrantes do fungo, que brotam do corpo após a morte do animal para dispersar esporos no ar úmido da floresta.

O pesquisador Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), compartilhou o registro em suas redes e enfatizou o valor científico: “O Brasil possui mais de 10% da diversidade global de fungos, um grupo crucial para a humanidade. Documentar espécies como essa na Amazônia representa avanço em ciência, economia e soberania nacional.”

O terror biológico por trás do ‘zumbi’ à la The Last of Us

Assim como na série, onde o fungo Cordyceps infecta humanos e os transforma em criaturas agressivas e descontroladas, o Cordyceps caloceroides ataca artrópodes com precisão macabra: os esporos penetram o exoesqueleto da aranha, invadem o sistema nervoso e muscular, e assumem o comando. A vítima passa a se comportar de maneira alterada — muitas vezes subindo para posições elevadas na vegetação, o que maximiza a liberação de novos esporos. Enquanto isso, o fungo consome tecidos internos para crescer. Após a morte, ele emerge do corpo da aranha, formando estruturas externas que parecem chifres ou “frutificações” alaranjadas, prontas para infectar o próximo hospedeiro.

Esse fenômeno é clássico entre fungos entomopatogênicos e já inspirou inúmeros documentários e obras de ficção, incluindo The Last of Us. A diferença crucial? Esses fungos são altamente especializados em insetos e aranhas — não infectam humanos. Nosso sistema imunológico avançado impede qualquer risco real de um “apocalipse zumbi” como o da série.

Fenômenos assim reforçam a incrível — e por vezes aterrorizante — biodiversidade da Amazônia. Registros raros como esse ajudam a mapear interações ecológicas complexas e lembram que a natureza já possui seus próprios “zumbis” há milhões de anos. Para nós, humanos, é só mais uma fascinante (e inofensiva) curiosidade: o verdadeiro horror fica na tela… ou na floresta, mas longe do nosso sistema nervoso.


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