Amazonprev aparece em lista de fundos previdenciários deficitários após escândalo com Banco Master
Amazonas – A Fundação Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas (Amazonprev) passou a integrar a lista de fundos previdenciários com déficit financeiro, segundo análise dos Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2025. O levantamento avaliou 18 institutos de previdência no país e apontou desequilíbrios financeiros em meio às repercussões do escândalo envolvendo o Banco Master.
De acordo com os dados divulgados pela GloboNews, o Amazonprev apresenta déficit financeiro de R$ 751,1 milhões nas contribuições de servidores civis. Os DRAAs indicam a situação financeira atual dos fundos, considerando receitas e obrigações futuras com aposentadorias e pensões.
A discussão ganhou força após a divulgação de investimentos de fundos previdenciários no Banco Master, feitos por meio de letras financeiras. Esses recursos não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e, com a liquidação da instituição, passaram a integrar a massa de credores do banco.
Veja lista completa dos oito fundos previdenciários deficitários:
- Instituto Municipal de Previdência (IPREM) de Santa Rita do Oeste (SP): R$ 988,4 mil de déficit financeiro;
- Instituto de Previdência Social do Município do Paulista (PreviPaulista): R$ 222,7 mil de déficit financeiro;
- Maceió Previdência: R$ 299,4 milhões de déficit financeiro;
- Instituto Municipal de Previdência de Campo Grand: R$ 124,8 milhões de déficit financeiro;
- ARARAPREV (instituto de previdência social dos funcionários públicos de Araras): R$ 72,4 milhões de déficit financeiro;
- Rioprevidência: R$ 16,7 milhões de déficit financeiro entre as contribuições de servidores civis e R$ 8,7 milhões entre as contribuições de servidores militares;
- Amazonprev (Fundação Fundo Previdenciário do Estado de Amazonas): R$ 751,1 milhões de déficit financeiro entre as contribuições de servidores civis;
- Amprev (Amapá Previdência): R$ 394,9 milhões de déficit financeiro entre as contribuições de servidores militares.
Para o advogado e professor de Direito Previdenciário Rômulo Saraiva, autor do livro “Fraude nos Fundos de Pensão”, é grave a aplicação de recursos previdenciários em investimentos de alto risco, mesmo em regimes com superávit, destacando falhas na análise de risco e possível ingerência política.
À época da liquidação do banco, o Amazonprev afirmou em nota que o investimento “não oferece quaisquer riscos ou interfere no pagamento de aposentados e pensionistas do estado do Amazonas”. Em outro esclarecimento, o fundo informou que a aplicação de R$ 50 milhões no Banco Master foi realizada pelo FPREV, um dos três fundos que administra. Segundo a entidade, o FPREV possui R$ 9,366 bilhões em investimentos, superávit de R$ 1,7 bilhão e recursos suficientes para garantir o pagamento de benefícios atuais e futuros.


